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Um caso tomou conta das redes sociais entre ontem e hoje (1º/10) e acendeu um alerta entre jovens de 18 a 22 anos. Influenciadoras digitais brasileiras com milhões de seguidores divulgaram o chamado Start Program, uma suposta oportunidade de trabalho na Rússia. O problema é que o programa está diretamente ligado à Alabuga Start, empresa investigada pela Interpol por tráfico humano. Reportagens internacionais já haviam revelado que o mesmo modelo de aliciamento foi usado com jovens africanas, e agora, no Brasil, chegou disfarçado de promessa de emprego legalizado.
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As propagandas circulavam em vídeos no Instagram e TikTok, em que criadoras de conteúdo afirmavam que os participantes receberiam até US$ 680 por mês. Além disso, destacavam benefícios como passagens aéreas, acomodação, seguro médico, aulas de russo e “documentação garantida”. Os vídeos eram abertos com frases de impacto como: “Você já pensou em morar fora, trabalhar e ainda receber por isso?”. A proposta era de dois anos de atuação em áreas como hospitalidade, logística, alimentação e produção.
No entanto, a realidade descrita em relatórios internacionais é bem diferente. De acordo com a Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC), mulheres que entraram no programa enfrentaram jornadas exaustivas, vigilância constante e problemas de saúde por exposição a produtos químicos. Além disso, muitas tiveram seus passaportes retidos para impedir fuga e restrições severas de movimento dentro da chamada zona econômica especial.
No Brasil, nomes como MC Thammy, Catherine Bascoy, Aila Loures e Isabella Duarte foram algumas das responsáveis por divulgar a oportunidade. Em um dos vídeos de maior repercussão, MC Thammy chegou a afirmar que toda a documentação de imigração seria custeada pela empresa, reforçando a falsa garantia de legalidade. A publicidade enganosa ganhou destaque após denúncias feitas pelos influenciadores Guga Figueiredo, Gizelly Bicalho e Marcella Garbim, que alertaram para os riscos. O vídeo de alerta publicado por Guga ultrapassou 700 mil visualizações.
As investigações revelam ainda que o programa, na prática, funcionava como um esquema de aliciamento. Muitas mulheres, atraídas pela promessa de cursos e desenvolvimento profissional, eram obrigadas a realizar trabalhos pesados, como faxina e serviços de buffet. Outras foram direcionadas para a produção de armas de guerra, incluindo a montagem de drones de ataque iranianos do modelo Shahed, usados pela Rússia contra a Ucrânia. Reportagem da Associated Press em 2024 confirmou que adolescentes também foram vistos na linha de produção. Alabuga é a maior fábrica de drones da Rússia. Só em 2024, entre janeiro e setembro, a unidade produziu mais de 5.700 drones, o dobro do ano anterior. A meta declarada por autoridades militares era alcançar a marca de 10 mil equipamentos do tipo Gerbera. Também é importante destacar que, no Brasil, não existe qualquer registro de funcionamento legal da empresa.







