Belo Horizonte, 7 de março de 2026

A voz de Minas no portal que mais cresce!

Últimas notícias

Idoso de 78 anos é resgatado em condições análogas à escravidão no Norte de Minas

Trabalhador vivia sem água potável e atuava sem registro em carteira em fazenda de Manga
Idoso é resgatado em condições análogas à escravidão no Norte de Minas Gerais
Idoso é resgatado em condições análogas à escravidão no Norte de Minas Gerais

Ouça este conteúdo

0:00

Um idoso de 78 anos foi resgatado em condições análogas à escravidão em uma fazenda na zona rural de Manga, no Norte de Minas Gerais. A operação, realizada pelo Ministério do Trabalho em conjunto com a Polícia Militar, revelou que o trabalhador cuidava de 50 cabeças de gado e vigiava a propriedade, mas vivia em situação degradante. Ele recebia apenas R$ 500 por mês e não tinha registro em carteira.

O homem estava doente, quase cego de um olho e sem acesso a cuidados médicos. De acordo com o auditor-fiscal do trabalho e coordenador da ação, Dárcio Vagner Vieira, ele era mantido “sem nenhuma condição de saúde, segurança ou higiene”. A moradia era precária, sem móveis adequados para refeições e sem estrutura mínima de salubridade.

A falta de acesso à água potável foi um dos pontos mais graves identificados. A fazenda não fornecia água tratada e, por isso, o idoso consumia água coletada do rio ou trazida por parentes. O líquido era armazenado em galões que antes haviam transportado agrotóxicos, tornando-o impróprio para o consumo humano. Além disso, o banheiro não possuía água encanada, obrigando o trabalhador a tomar banho e realizar suas necessidades fisiológicas diretamente no rio que margeia a propriedade.

As condições de trabalho também chamaram a atenção dos fiscais. O idoso realizava atividades rurais sem qualquer tipo de Equipamento de Proteção Individual (EPI), como luvas ou chapéus, e nunca havia passado por exame médico admissional. Não havia materiais de primeiros socorros disponíveis, e a fazenda ficava em local isolado, dificultando qualquer socorro imediato em caso de acidente. A situação ganha ainda mais peso histórico porque o pai do trabalhador também havia passado a vida prestando serviços à mesma família, em condições semelhantes.

O empregador, dono de cinco fazendas e de uma loja de implementos agrícolas em Manga, se comprometeu a pagar os valores rescisórios em até 10 dias. Segundo os auditores, o idoso, apesar de resgatado, não terá direito ao seguro-desemprego, pois já é aposentado.