Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Madero autuado em Minas com 193 infrações por irregularidades trabalhistas

Auditores identificam excesso de jornada, discriminação em contratações e falhas em alojamentos de jovens nas unidades da rede
Madero recebe 193 autuações por irregularidades trabalhistas em Minas Gerais
Madero recebe 193 autuações por irregularidades trabalhistas em Minas Gerais

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A rede de restaurantes Madero recebeu 193 autos de infração após fiscalização identificar diversas irregularidades trabalhistas em 12 unidades de Minas Gerais. Entre os problemas encontrados estão excesso de jornada, discriminação em contratações, alojamentos inadequados e ausência de políticas de prevenção ao assédio moral e sexual. O relatório foi elaborado entre março e julho de 2025 pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais (SRTE/MG).

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De acordo com o levantamento, parte das unidades enviava jovens para trabalhar em outras regiões sem que pudessem escolher o destino e, em alguns casos, iniciavam as atividades antes do registro formal na carteira de trabalho. Os auditores fiscais também identificaram anúncios de vagas que exigiam faixa etária entre 18 e 25 anos ou questionavam estado civil e filhos, práticas consideradas discriminatórias segundo a Lei nº 9.029/1995 e convenções da OIT. “Encontramos editais de contratação que pediam faixa etária específica, o que é proibido por lei. Isso gerou autos de infração por discriminação etária”, afirmou Odete Cristina Pereira Reis, auditora fiscal responsável pela ação.

Além disso, a fiscalização apontou alojamentos com regras rígidas, descontos salariais variáveis e penalizações por descumprimento de normas internas, como não realizar faxina ou receber visitas. Em alguns casos, os locais ficavam a até 40 minutos a pé dos restaurantes, sem fornecimento de vale-transporte, mesmo para funcionários que terminavam o turno após a meia-noite. Os auditores também observaram práticas de assédio moral organizacional, com monitoramento constante, metas rígidas e campanhas como “funcionário do mês” baseadas em critérios subjetivos.

O relatório ainda indica que os direitos à desconexão e ao convívio familiar eram desrespeitados, já que funcionários permaneciam sob vigilância constante, inclusive nos alojamentos. Segundo os auditores, o modelo de gestão do Madero “intensifica a exploração da força de trabalho” e “afronta direitos constitucionais”, aumentando a vulnerabilidade de jovens recrutados em cidades do interior do Norte e Nordeste.

O Grupo Madero declarou que recebeu o relatório com atenção, afirmando investir em capacitação, alimentação e acompanhamento das equipes, além de se colocar aberto ao diálogo com as autoridades para avaliar os pontos indicados e adotar melhorias. As 193 autuações foram aplicadas às unidades de Belo Horizonte (MG) e à matriz em Ponta Grossa (PR), podendo gerar multas administrativas estimadas em até R$ 3,4 milhões, conforme a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), embora os valores ainda estejam em análise.