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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes disse à Reuters que espera que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revogue as sanções impostas contra ele. As medidas restritivas, anunciadas por Trump, incluem tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e sanções financeiras diretamente contra Moraes, e surgem em meio à intensificação de ações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, às vésperas do julgamento por suposta tentativa de golpe de Estado em 2022. Moraes afirmou que há falta de consenso dentro do governo norte-americano, o que, segundo ele, pode favorecer uma reversão das sanções.
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Em entrevista em seu gabinete na noite de terça-feira (19), Moraes demonstrou confiança de que a situação poderá ser resolvida pela via diplomática ou, se necessário, por contestação judicial nos EUA. “É plenamente possível uma impugnação judicial (nos Estados Unidos) e até agora não encontrei nenhum professor ou advogado brasileiro ou norte-americano que ache que a Justiça não iria reverter. Mas, nesse momento, eu aguardo, e foi uma opção minha aguardar a questão diplomática do país, Brasil e Estados Unidos”, declarou.
O ministro explicou que as sanções, que incluem ordens de bloqueio de suas finanças pessoais e impactos nas relações comerciais entre Brasil e EUA, pouco alteraram sua rotina. Ele destacou que continua praticando boxe, artes marciais e lendo seu novo livro favorito, Liderança, de Henry Kissinger, diplomata norte-americano.
Além disso, Moraes atribuiu o desgaste nas relações bilaterais a uma campanha de aliados de Bolsonaro, citando especificamente o filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está sob investigação por ter se mudado para os EUA em busca de interferência de Trump no caso do pai perante o Supremo. “A hora que essas informações forem corretamente passadas, e isso vem sendo feito agora, e os dados de forma documentada chegarem às autoridades norte-americanas, eu acredito que não vai nem ser necessário nenhuma ação judicial para reverter. Eu acredito que o próprio Poder Executivo dos Estados Unidos, o presidente, vai reverter”, afirmou.
Questionado sobre a razão de sua confiança, Moraes disse que está ciente de divisões internas no governo norte-americano que retardaram a aplicação das sanções e ainda podem enfraquecê-las.







