Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Alexandre Kalil é condenado por improbidade administrativa e pode perder direitos políticos

Decisão da Justiça aponta omissão da prefeitura diante de bloqueio irregular em condomínio de luxo na região do Mangabeiras
Alexandre Kalil condenado suspensão dos direitos políticos
Alexandre Kalil condenado suspensão dos direitos políticos

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O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, foi condenado pela Justiça e teve os direitos políticos suspensos por cinco anos por permitir que um condomínio de luxo na capital mantivesse guaritas e restrições de acesso às vias públicas. A decisão também impõe multa de R$ 100 mil e proíbe o ex-chefe do Executivo municipal de firmar contratos com a prefeitura ou receber benefícios e incentivos fiscais, mesmo por meio de empresas das quais seja sócio. O juiz Danilo Couto Lobato Bicalho, da 3ª Vara de Fazenda Municipal, entendeu que Kalil cometeu improbidade administrativa dolosa. A sentença também atinge os responsáveis pela Associação Comunitária do Bairro Mangabeiras III, que administra o condomínio conhecido como “Clube dos Caçadores”.

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Segundo a decisão, já havia uma ordem judicial determinando que o condomínio, localizado no bairro Mangabeiras, liberasse o acesso às vias bloqueadas. Mesmo assim, os responsáveis descumpriram a determinação. Para o magistrado, Kalil é responsável porque, mesmo ciente da irregularidade, a prefeitura não tomou medidas para desobstruir o local.

O juiz destacou que a omissão do então prefeito em garantir o livre acesso aos bens públicos, após a anulação administrativa, configurou permissão dolosa para o uso indevido do espaço. “Sua inércia em tomar as providências cabíveis para desobstruir as vias e praças, mesmo ciente da ilegalidade e do comando judicial definitivo, contribuiu ativamente para a manutenção da situação ímproba e beneficiou a Associação em detrimento do interesse público”, escreveu o magistrado.

Na defesa, Kalil argumentou que não tinha atribuição direta sobre o caso e contestou a possibilidade de ser punido individualmente. O juiz, no entanto, afirmou que havia provas de que ele tinha ciência da situação. “Embora a petição inicial não aponte atos comissivos diretos de Alexandre Kalil na concessão da ‘nova permissão’ (que foi firmada por secretários municipais), é incontestável que ele tinha ciência da situação. A Recomendação 05/2020 do Ministério Público foi expressamente direcionada a ele (…), alertando-o para a grave situação de descumprimento da decisão judicial e as responsabilidades decorrentes, no intuito de que zelasse pelo patrimônio público municipal, mas tudo em vão”, escreveu.

Procurado, o ex-prefeito criticou a decisão e atribuiu motivação política à sentença. “Esse juiz perdeu o senso do ridículo. Não sei do que se trata. Mas parece que querem que eu não seja candidato ao Governo de Minas por causa de uma cancela em um condomínio. É de rir. E isso acontece justamente depois que estou liderando pesquisas para governador. Com certeza essa decisão vai cair. A que ponto chegamos”, disse.