Ouça este conteúdo
Uma loja em Belo Horizonte vem chamando atenção nas redes sociais ao oferecer kits de produtos voltados para pessoas privadas de liberdade em Minas Gerais. Com foco nas exigências do sistema prisional, o espaço vende itens como rádio, alimentos, peças de roupa e materiais de higiene, todos seguindo regras de cada presídio, como tipo de embalagem, cores permitidas e quantidades autorizadas.
A ideia do negócio surgiu da experiência pessoal de Péricles Ribeiro, que ficou preso por 83 dias e, ao sair, em 2016, enfrentou o preconceito na tentativa de recomeçar. Sem conseguir emprego, decidiu criar um espaço voltado para pessoas que passam pelas mesmas dificuldades que ele e sua família enfrentaram, especialmente em relação às regras sobre o que pode ser enviado. Batizada oficialmente de PJL — sigla para Paz, Justiça e Liberdade, lema usado entre os detentos —, a loja ficou conhecida como Loja do Preso e é a primeira especializada nesse nicho na capital mineira.
Os produtos seguem um vocabulário próprio, baseado nas gírias usadas no sistema carcerário, como uma forma de aproximar ainda mais o serviço da realidade de quem vive esse contexto. Chinelo, por exemplo, é chamado de “táxi”; barbeador é “trator”; e pilha vira “carvão”. Os kits são personalizados e enviados por Sedex, o que facilita ainda mais para as famílias. A loja também atende visitantes, com roupas adequadas às exigências de entrada nas visitas, e até peças íntimas para mulheres que participam de visitas íntimas. Além de vender os produtos, eles explicam e publicam conteúdos sobre regras de visitas e informações do que pode e o que não pode entrar em cada unidade prisional de Minas, sempre acompanhando as atualizações nas regras. Agora no período de frio, por exemplo, algumas unidades passaram a permitir itens extras como agasalhos, o que levou a loja a adaptar os itens oferecidos.
Ver essa foto no Instagram
Uma publicação compartilhada por 📌 A LOJA DO PRESO (@alojadopreso.oficial)
Um dos vídeos compartilhados pela loja repercutiu ao mostrar uma mulher com dúvida se pode usar calça jeans para visitar alguém preso. Ela é informada de que o uso é proibido em muitas unidades, sendo necessário optar por roupas específicas como calças de moletom. No mesmo vídeo, também é explicado que bolsas tradicionais não são permitidas e que apenas um modelo específico de bolsa transparente, com os documentos essenciais, pode ser utilizado. A publicação gerou muitos comentários de pessoas que não conheciam essas regras e destacaram a falta de orientação ao entrar nesse universo. A proposta do negócio é resumida no lema: “dignidade não tem grade”. Segundo os responsáveis, a loja existe porque, mesmo à distância, o carinho pode ser enviado, e a iniciativa ajuda a devolver um pouco de dignidade a quem muitas vezes é esquecido.







