Belo Horizonte, 25 de abril de 2026

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ONU reconheceu oficialmente a escravidão como o maior crime da história

Resolução histórica aprovada com 123 votos propõe reparação, expõe divisões globais e registra votos contrários de Estados Unidos, Israel e Argentina
ONU reconheceu oficialmente a escravidão como o maior crime da história
ONU reconheceu oficialmente a escravidão como o maior crime da história - Foto: ONU/ Divulgação

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A Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução histórica que reconhece o tráfico transatlântico de africanos escravizados como o maior crime contra a humanidade já cometido. A decisão foi tomada pela Assembleia Geral nesta quarta-feira (25/03) e, além disso, recomenda que os países-membros considerem pedidos formais de desculpas e contribuam para um fundo de reparação.

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O texto teve apoio expressivo: foram 123 votos favoráveis, incluindo o do Brasil. Por outro lado, três países votaram contra a resolução: Estados Unidos, Israel e Argentina. Além disso, houve 52 abstenções, principalmente de nações europeias com histórico de exploração colonial e participação no tráfico de pessoas escravizadas, como Portugal, Espanha, Reino Unido, França, Países Baixos e Bélgica. Outros países desenvolvidos, como Japão, Canadá e Austrália, também optaram por se abster. Na América do Sul, o Paraguai seguiu o mesmo caminho.

A proposta foi apresentada pelo presidente de Gana, John Mahama, país diretamente impactado pelo tráfico de africanos ao longo dos séculos. Durante a votação, ele destacou a importância do reconhecimento histórico e da busca por justiça. Enquanto isso, países do Brics como China, Índia, Rússia e África do Sul, votaram em peso a favor, o que contribuiu para a ampla aprovação da medida.

Além da votação, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou a necessidade de enfrentar os efeitos persistentes da escravidão. Segundo ele, é fundamental remover barreiras que ainda impedem pessoas de ascendência africana de exercer plenamente seus direitos. Dessa forma, a resolução também chama atenção para problemas atuais, como o racismo estrutural e a desigualdade social, que têm raízes nesse período histórico.

Durante cerca de 400 anos, milhões de africanos foram sequestrados e vendidos como mercadorias em colônias europeias. Esse sistema continuou mesmo após a independência de países como Brasil e Estados Unidos. O Brasil, inclusive, foi o principal destino dessas pessoas e o último país das Américas a abolir a escravidão, em 1888, após receber mais de 4 milhões de africanos escravizados.