Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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PL pede apuração no TSE sobre desfile pró Lula na Sapucaí

Partidos apontam possível propaganda antecipada e questionam financiamento do evento enquanto governo classifica reação como oportunismo político
PL pede apuração no TSE sobre desfile pró Lula na Sapucaí
PL pede apuração no TSE sobre desfile pró Lula na Sapucaí - Foto: Eduardo Hollanda/Rio Carnaval

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O PL pediu ao TSE a apuração do desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. A sigla quer a produção de provas para investigar possível propaganda eleitoral antecipada e questiona o financiamento do evento, citando reuniões no Palácio do Planalto entre integrantes do governo e a escola de samba. Embora não tenha solicitado punição neste momento, o partido afirma que pretende reunir informações para eventuais medidas futuras.

Além disso, o partido Missão, ligado ao MBL, também acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com representação por propaganda antecipada. A legenda sustenta que o desfile ultrapassou o campo cultural e se transformou em promoção político-eleitoral. Na ação, o partido aponta a exibição de imagens de campanhas anteriores em telões, referências ao número 13, alas dedicadas ao PT, menções a programas sociais dos governos petistas, propostas em debate no Congresso Nacional e gestos com o “L” durante a transmissão em TV aberta. Ainda segundo a representação, o presidente teria sido consultado previamente sobre a homenagem e esteve presente no evento.

Enquanto isso, a mobilização jurídica ocorre em meio à forte reação nas redes sociais. Lideranças da oposição classificaram o desfile como “comício fora de época” e acusaram o governo de utilizar a estrutura do Estado para promover a imagem do presidente. O rebaixamento da escola no resultado final do Carnaval também entrou no debate político. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou ter se sentido agredido pelo desfile e comemorou a queda da agremiação. Já a primeira-dama, Janja da Silva, reagiu ao endossar publicação da escola com a frase: “arte não é para covardes”.

Por outro lado, o Palácio do Planalto tenta minimizar a crise. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), classificou as críticas como “oportunismo político” e negou que tenha havido ataque a evangélicos ou pedido explícito de votos. Segundo ela, o desfile foi uma manifestação artística independente, sem participação formal de campanha. No TSE, o foco do debate deve ser se houve pedido de votos ou uso de elementos típicos de campanha capazes de beneficiar um pré-candidato. Antes da apresentação, a Corte já havia negado pedidos para barrar o evento. Agora, com o desfile realizado, os ministros podem avaliar se houve irregularidade e eventual uso indevido da máquina pública.

Para o advogado Guilherme Barcelos, especialista em direito eleitoral, o episódio abre espaço para discussão sobre possível propaganda antecipada. Segundo ele, o samba-enredo mencionou feitos do atual governo, pautas ligadas à agenda eleitoral, referências ao número do partido e expressões associadas a campanhas anteriores. “Tudo com a divulgação por parte do partido, inclusive em colaboração com a escola”, declara. Ainda de acordo com o especialista, a presença do presidente e a utilização de símbolos partidários podem, em tese, configurar conduta vedada ou abuso de poder, mas a decisão final caberá à Justiça Eleitoral.