Belo Horizonte, 7 de março de 2026

A voz de Minas no portal que mais cresce!

Últimas notícias

Objeto do tamanho de Júpiter surpreende ao devorar 6,6 bilhões de massas solares por segundo

Fenômeno raro observado por telescópios revela comportamento extremo e desafia o que se sabe sobre a formação de planetas e estrelas
objeto do tamanho de Júpiter devorando 6,6 bilhões de massas solares por segundo
objeto do tamanho de Júpiter devorando 6,6 bilhões de massas solares por segundo

Ouça este conteúdo

0:00

Um evento inédito está intrigando astrônomos em todo o mundo. Telescópios espaciais e terrestres observaram um objeto do tamanho de Júpiter devorando 6,6 bilhões de massas solares por segundo, em um surto de crescimento violento e prolongado. O corpo celeste, identificado como Cha J11070768-7626326 (ou Cha 1107-7626), foi detectado por uma equipe internacional usando o Telescópio Espacial James Webb (JWST) e o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul. A observação revelou um aumento súbito de brilho e de ritmo de “alimentação”, comportamento típico de uma estrela em formação — mas em um corpo de massa planetária.

✅ Fique por dentro! Receba as notícias do G5 Minas em primeira mão no WhatsApp. 📲

Essa é a primeira vez que cientistas registram um surto de acreção do tipo EXor em um objeto desse tipo. Até então, esse fenômeno era observado apenas em estrelas jovens. Cha 1107-7626, no entanto, não é um planeta tradicional. Ele possui massa equivalente a cinco a dez vezes a de Júpiter, não orbita nenhuma estrela e está localizado a cerca de 620 anos-luz da Terra. Esse tipo de corpo é classificado como objeto de massa planetária livre (FFPMO). A descoberta levanta questões sobre sua origem: seria um planeta expulso de seu sistema ou uma estrela que nunca chegou a se formar completamente? O fato de possuir um disco de gás e poeira indica que ele se comporta mais como uma estrela em miniatura.

As observações começaram em abril e maio de 2025, quando o objeto estava em um estado de calma. Em junho do mesmo ano, ele entrou em um surto de acreção — um processo em que o corpo passa a absorver grandes quantidades de gás e poeira. A taxa registrada foi impressionante: 10⁻⁷ massas de Júpiter por ano, o maior valor já medido para um objeto desse tipo. Como consequência, o brilho de Cha 1107-7626 aumentou de 1,5 a 2 magnitudes na luz visível e seu fluxo óptico triplicou. O fenômeno continuou ativo por pelo menos dois meses, até agosto de 2026, e atingiu velocidades extremas ao devorar 6,6 bilhões de toneladas de poeira e gás por segundo.Durante o surto, os telescópios detectaram mudanças físicas que ajudam a entender o processo. A emissão de hidrogênio (linha Hα) mostrou um perfil de duplo pico com absorção vermelha, uma característica da acreção magnetosférica — mecanismo em que o material é canalizado por campos magnéticos, comum em estrelas jovens. Além disso, a química do disco também se transformou: surgiram hidrocarbonetos e vapor de água em regiões onde antes nada era detectado. Essa é a primeira vez que mudanças químicas desse tipo são registradas durante um aumento de acreção em um corpo de massa planetária.

O fenômeno marca Cha 1107-7626 como o primeiro EXor de massa planetária conhecido. A descoberta amplia o entendimento sobre a formação de estrelas e planetas, mostrando que os mesmos processos violentos que moldam estrelas também podem ocorrer em objetos muito menores. Com isso, o estudo abre novas perspectivas para compreender como nascem e evoluem os corpos que compõem o universo.