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O Irã ampliou ataques no Oriente Médio nesta quinta-feira (19/03), após um ultimato dos Estados Unidos, sob comando de Donald Trump, e de países árabes reunidos em Riad, na Arábia Saudita. Como resultado, a escalada do conflito já impacta diretamente o mercado global: o preço do gás na Europa disparou 35%, enquanto o petróleo segue em alta e se aproxima de US$ 120 o barril, pressionado pelo bloqueio do estreito de Hormuz.
Além disso, a ofensiva ocorre no vigésimo dia da guerra iniciada pelos EUA e por Israel, que agora atinge fortemente o setor energético. Durante a noite de quarta (18) e a madrugada desta quinta, o Irã intensificou a retaliação após ataques israelenses contra suas instalações de gás natural, localizadas na área que controla no maior campo do mundo, conhecido como Pars Sul. Esse campo é dividido com o Qatar, responsável pela maior parte da produção global de gás natural liquefeito.
Como consequência direta, o principal alvo iraniano foi o complexo de Ras Laffan, no Qatar, responsável pelo processamento e exportação de gás. A estrutura segue em chamas, e, segundo a estatal QatarEnergy, os danos foram extensos. A produção, que já estava interrompida desde o dia 2, continua sem previsão de retomada. Enquanto isso, Trump afirmou em rede social que Israel não atacará mais o campo iraniano, porém fez um alerta direto ao Irã: “Se o Irã decidir de forma imprudente atacar os muito inocentes, no caso o Qatar, […] os EUA vão, com ou sem a ajuda ou o consentimento de Israel, explodir maciçamente a totalidade do campo de gás de Pars Sul”.
Em seguida, mesmo sem novos ataques ao Ras Laffan após a declaração, o Irã ampliou o alcance das ofensivas. Pela primeira vez, drones atingiram o porto de Yanbu, no mar Vermelho, terminal estratégico da Arábia Saudita que contorna o estreito de Hormuz. A operação foi interrompida. Além disso, uma refinaria da estatal Saudi Aramco, próxima a Riad, também foi atingida. Ao mesmo tempo, houve ataques a uma unidade de refino em Mina al-Ahmadi, no Kuwait, e um projétil, possivelmente iraniano, atingiu um navio ancorado perto dos Emirados Árabes Unidos.
Diante desse cenário, 12 países árabes e islâmicos se reuniram em Riad e emitiram um ultimato ao Irã, exigindo o fim dos ataques e afirmando que se reservam o direito de defesa. Até o momento, esses países têm se limitado a interceptar mísseis e drones, evitando entrar diretamente no conflito ao lado de americanos e israelenses. “O Irã até aqui não entendeu ou não quis entender a mensagem”, afirmou o chanceler saudita, príncipe Faisal bin Farhan. Paralelamente, Tel Aviv mantém operações no sul do Líbano e segue bombardeando posições do Hezbollah, grupo aliado de Teerã.







