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A CPI do Crime Organizado, no Senado, avançou nesta quarta-feira (18/03) nas investigações sobre o Banco Master, com foco em fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e identificação de beneficiários finais de recursos. Logo no início, a comissão aprovou medidas para aprofundar a apuração, incluindo pedidos de informações à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao Banco Central, à Receita Federal e à Anbima. Segundo o relator Alessandro Vieira (MDB-SE), mapear quem recebeu os valores é essencial para rastrear o destino do dinheiro e esclarecer possíveis irregularidades envolvendo fundos ligados ao banco e à Reag Investimentos.
Além disso, os senadores decidiram convocar a empresária e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, já que há suspeitas de que a transferência de um imóvel avaliado em cerca de R$ 450 milhões possa indicar tentativa de ocultação de patrimônio. Ao mesmo tempo, a CPI aprovou a convocação de dirigentes da Prime Aviation, empresa ligada a Vorcaro, e autorizou a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico da companhia. De acordo com a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MG), há indícios de que a empresa possa ter sido usada em um esquema de lavagem de dinheiro.
Ainda no âmbito das investigações, a comissão também aprovou a convocação do ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, que denuncia fraudes em operações de crédito consignado com prejuízos a servidores públicos. Por outro lado, os parlamentares rejeitaram, por seis votos a dois, o pedido de quebra de sigilo do ex-ministro Paulo Guedes e, por seis votos a quatro, a convocação do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o que mostra divisões nas decisões dentro da CPI.
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Paralelamente, na esfera judicial, a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo determinou, na terça-feira (17), o bloqueio de bens do Banco Master e de Daniel Vorcaro, após indícios de desvios bilionários. A decisão, revelada pela Folha de S.Paulo, tem como objetivo impedir a transferência de patrimônio durante as investigações. Conforme o juiz Adler Batista Oliveira Nobre, há sinais de que recursos do banco foram direcionados a fundos de investimento e a bens de alto valor ligados ao empresário e a pessoas próximas. O pedido partiu da EFB Regimes Especiais, responsável pela liquidação da instituição.
De acordo com o processo, as apurações apontam o uso de estruturas financeiras, como os fundos Astralo 95, Termopilas e Galo Forte, em movimentações consideradas suspeitas, além da atuação de empresas e pessoas ligadas ao controlador como possíveis intermediárias. Também foram identificadas transferências milionárias sem justificativa clara, incluindo repasses de R$ 285,8 milhões pouco antes da liquidação. Os advogados afirmam que Vorcaro obteve “ganhos de capital exorbitantes em transações cruzadas”. “Os recursos supostamente desviados teriam sido empregados na aquisição de bens de luxo para uso pessoal do ex-controlador e de terceiros relacionados, a exemplo de uma mansão no Distrito Federal, apartamentos de alto padrão em São Paulo e participações societárias diversas, formalmente registradas em nome de empresas e fundos”, diz o processo. Além disso, a decisão determina o registro da disputa em órgãos como a CVM e cartórios em diferentes estados para evitar a venda dos ativos. “A não concessão da medida liminar neste momento processual potencializa o risco de dilapidação irreversível do patrimônio”, afirmou o juiz. A defesa não se manifestou.







