Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Trump ameaça tarifar países que compram óleo russo

Após sobretaxa contra Índia, presidente dos EUA aponta possível sanção à China e acende alerta para o Brasil, que bateu recorde de importações em 2024
Trump ameaça tarifar países que compram óleo russo
Trump ameaça tarifar países que compram óleo russo

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (7) que pode impor novas tarifas à China e a outros países que continuam comprando petróleo da Rússia, repetindo a medida já aplicada contra a Índia. A fala acontece no contexto de uma tentativa de aumentar a pressão econômica sobre Moscou e forçar o fim da guerra na Ucrânia. O anúncio preocupa países como o Brasil, que tem aumentado significativamente a importação de óleo russo nos últimos anos.

Horas antes, Trump decretou uma tarifa adicional de 25% sobre produtos indianos, como represália pelas compras de petróleo russo feitas pelo país. Segundo o presidente, a medida pode ser estendida a outras nações. “Pode acontecer… Não posso lhes dizer ainda”, afirmou, ao ser questionado sobre possíveis tarifas contra a China. Apesar de não haver confirmação oficial, ele acrescentou: “Fizemos isso com a Índia. Provavelmente estamos fazendo isso com alguns outros. Um deles pode ser a China”.

Embora o novo decreto da Casa Branca não mencione diretamente a China, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, já havia alertado na semana passada que o país asiático também poderia enfrentar sanções, caso mantivesse as compras de petróleo da Rússia. A sinalização indica que os EUA estão dispostos a punir economicamente qualquer parceiro comercial relevante que colabore com o financiamento indireto da guerra russa por meio da compra de combustíveis fósseis.

O governo brasileiro teme ser alvo de um adicional na sua taxa de 50% por ser uma das nações que importa óleo da Rússia. Em 2024, o Brasil importou US$ 5,4 bilhões em diesel russo, o maior valor já registrado na balança comercial brasileira. Desde 2022, com as sanções ocidentais sobre Moscou, o Brasil quintuplicou as compras do produto, tornando-se um destino estratégico para as exportações energéticas de Vladimir Putin.

Só em 2023, o valor importado foi 47 vezes maior que o registrado em 2021, e em 2024, houve mais um crescimento, de 19%. Atualmente, mais de 60% de todo o diesel importado pelo Brasil vem da Rússia, o que reforça a dependência crescente do país em relação ao combustível russo e o coloca diretamente na rota das possíveis medidas punitivas dos Estados Unidos.