Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Trabalhadores lotam ALMG em protesto contra privatização da Copasa

Mais de seis mil pessoas ocuparam a Assembleia Legislativa de Minas Gerais em ato contra a PEC do Cala Boca, que tenta acabar com o referendo popular sobre a venda da estatal
Protesto contra a privatização da Copasa
Protesto contra a privatização da Copasa

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Milhares de trabalhadores percorreram as ruas de Belo Horizonte e lotaram o auditório da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na manhã desta quarta-feira (22/10) em protesto contra a privatização da Copasa e a chamada “PEC do Cala Boca”, proposta pelo governador Romeu Zema (Novo). A mobilização aconteceu durante uma audiência pública da Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social, convocada para debater a PEC 24/23, que busca retirar a exigência de referendo popular para autorizar a venda da estatal. Segundo o deputado Betão (PT), presidente da comissão, o ato reuniu mais de 6 mil pessoas, transformando o plenário da ALMG em um verdadeiro símbolo de resistência popular.

Com cartazes, bandeiras e palavras de ordem, os trabalhadores gritaram frases como “A Copasa é nossa!” e “Zema ladrão, a Copasa é do povão!”. A multidão expressou preocupação com o impacto da privatização no abastecimento de água, especialmente nas regiões mais pobres e secas do estado. Representantes do Sindágua-MG alertaram que a entrega da companhia à iniciativa privada pode aumentar as desigualdades no acesso ao saneamento básico, já que empresas privadas tenderiam a evitar áreas consideradas menos lucrativas.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT-MG), Jairo Nogueira, classificou o ato como “um dia histórico para o movimento sindical”. Ele destacou uma pesquisa da Rádio Itatiaia que apontou que 66% dos mineiros são contra a retirada da consulta popular para a privatização. Em maio de 2024, mais de 300 mil pessoas participaram do Plebiscito Popular em Defesa das Estatais de Minas Gerais, e 95% se declararam a favor de manter as empresas públicas. O coordenador do Sindieletro-MG, Emerson Andrada, também criticou o projeto e questionou: “É importante que o governo mostre onde a privatização do saneamento deu certo, onde a população teve acesso a uma água mais limpa e um serviço de qualidade. Isso nunca aconteceu.”

Durante a audiência, parlamentares de oposição reforçaram o repúdio à proposta do governo. A deputada Bella Gonçalves (Psol) afirmou que a Copasa foi responsável por avanços históricos, como a erradicação da xistose, e classificou a PEC como “inconstitucional e autoritária”. “Caso esse abuso passe, vamos levar o tema ao STF”, declarou. As deputadas Lohanna (PV), Ana Paula Siqueira (Rede) e Andréia de Jesus (PT) também se manifestaram contra o projeto, chamando-o de “PEC do Cala a Boca”.

A deputada Beatriz Cerqueira (PT) elogiou a força da mobilização, considerada uma das maiores da história recente da ALMG, e defendeu uma vigília permanente na Casa contra a votação da proposta. Ao final, sob fortes aplausos, os trabalhadores reafirmaram que a luta continuará até que o governo Zema desista do plano de privatizar a Copasa, considerado por eles uma ameaça ao acesso à água e ao saneamento básico como direitos fundamentais.