Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Técnicos de enfermagem são presos por suspeita de matar pacientes em hospital particular

Polícia investiga aplicação irregular de injeções que causaram parada cardíaca em ao menos três vítimas
Técnicos de enfermagem são presos por suspeita de matar pacientes em hospital particular do Distrito Federal
Técnicos de enfermagem são presos por suspeita de matar pacientes em hospital particular do Distrito Federal - Foto: Reprodução/TV Globo

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A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a suspeita de que ex-técnicos de enfermagem de um hospital particular de Brasília tenham provocado a morte de ao menos três pacientes após a aplicação irregular de uma substância letal. As mortes ocorreram entre 17 de novembro e 1º de dezembro no Hospital Anchieta, e o caso passou a ser apurado após a própria direção da unidade desconfiar das circunstâncias dos óbitos e acionar as autoridades.

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Como resultado das investigações, três suspeitos foram presos no dia 11, durante a Operação Anúbis. Entre eles está Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, que já havia sido demitido do hospital ainda na fase de apuração interna. Segundo a Polícia Civil, ele trabalhava na área da saúde há cerca de cinco anos e chegou a conseguir um novo emprego, inclusive em uma UTI infantil, antes de ser detido. As outras duas suspeitas são Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos.

De acordo com a polícia, Marcos Vinícius utilizou indevidamente o login de médicos do hospital para prescrever um medicamento. “Constatamos que o técnico de enfermagem aproveitou que o sistema estava aberto, logado em nome de médicos, e, em ao menos duas ocasiões, receitou o medicamento [indevido], foi até a farmácia, pegou o medicamento, o preparou, escondeu a seringa no jaleco e a aplicou em três vítimas”, afirmou o delegado Wisllei Salomão, responsável pelo caso. Ainda segundo a investigação, o produto foi aplicado diretamente na veia, o que causou parada cardíaca nos pacientes.

O delegado explicou que o medicamento é de uso comum em UTIs, mas que a aplicação da forma como ocorreu é fatal. “É um medicamento comum, usado nas UTIs, mas que, se aplicado diretamente na veia [do paciente], como foi o caso, provoca parada cardíaca e a morte”, disse. Em uma das vítimas, de 75 anos, a Polícia Civil também apura a aplicação de desinfetante de forma repetida. “Quando o medicamento acabou, ele pegou um desinfetante […] o colocou no copinho plástico, sugou o desinfetante numa seringa e injetou [o conteúdo ] por mais de dez vezes em uma das pacientes”, relatou o delegado.

As investigações apontam que as duas técnicas de enfermagem teriam acobertado os crimes. Imagens de câmeras de segurança mostram que elas teriam vigiado portas para permitir a ação do colega sem interrupções. “Elas não interviram e não fizeram nada”, afirmou Wisllei Salomão. Os três suspeitos respondem por homicídio qualificado, com diferentes combinações de autoria em cada uma das mortes, enquanto a Polícia Civil segue apurando se há outras vítimas e qual foi a motivação dos crimes.