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São Paulo enfrenta uma grave crise de saúde pública após nove casos de intoxicação por metanol e três mortes confirmadas em apenas 25 dias. As vítimas consumiram bebidas alcoólicas adulteradas, segundo o Centro de Vigilância Sanitária (CVS). Duas mortes ocorreram em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e uma na capital paulista. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a vítima mais recente é um homem de 45 anos que morreu no domingo (28/09). Na mesma cidade, outro homem, de 48 anos, havia sido internado em 18 de setembro e também não resistiu. Em São Paulo, um homem de 54 anos morreu em 15 de setembro após apresentar sintomas no dia 9.
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O metanol, um solvente tóxico usado na fabricação de combustível, é o principal suspeito da contaminação. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que 13 casos de suspeita de envenenamento foram identificados, com cinco ainda em investigação, cinco pacientes já liberados e três permanecendo internados. O CVS confirmou seis casos e monitora dez ocorrências em todo o estado. O Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e do Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP), emitiu recomendações urgentes para bares, restaurantes e comércios de bebidas, reforçando a necessidade de fiscalização e de compra de produtos apenas de fornecedores confiáveis.
Autoridades alertam que o metanol é extremamente perigoso. Mesmo em pequenas doses, pode causar cegueira, falência renal e até a morte. As bebidas mais visadas para adulteração são gin, whisky e vodka, vendidas por preços abaixo do mercado e sem certificação de origem. O consumo dessas bebidas é considerado um risco imediato à vida, e a orientação é evitar produtos sem rótulo, com embalagens danificadas ou procedência duvidosa.
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A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) aponta ainda possível ligação do crime organizado com a distribuição dessas bebidas. Segundo a entidade, o PCC pode ter desviado metanol importado ilegalmente para abastecer fábricas clandestinas. Recentes operações fecharam distribuidoras e formuladoras que importavam a substância para adulterar combustíveis, o que teria levado facções a repassar estoques para falsificadores de bebidas. “Com tanques cheios e as empresas proibidas de operar, o metanol pode ter sido repassado a falsificadores de bebidas, colocando em risco a saúde dos consumidores”, alertou a ABCF.







