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A liquidação extrajudicial do Banco Pleno fez o “rombo do FGC” ultrapassar R$ 50 bilhões, segundo dados divulgados após a decisão do Banco Central. Com isso, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) terá de reembolsar cerca de 160 mil credores elegíveis do Pleno, que somam R$ 4,9 bilhões. Além disso, o valor se junta aos R$ 40,6 bilhões de investidores do Banco Master e aos R$ 6,3 bilhões do Will Bank, elevando o total para R$ 51,8 bilhões. No entanto, essa cifra ainda não inclui as linhas emergenciais usadas pelo Fundo no ano passado, quando os problemas de liquidez do conglomerado Master ficaram mais evidentes.
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A liquidação do Banco Pleno foi decretada pelo Banco Central nesta quarta-feira (18/02), após meses de deterioração da percepção de risco da instituição. O banco, que era controlado por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master, vinha enfrentando restrições para captar recursos e dificuldades crescentes de liquidez. Segundo ato assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, a medida ocorreu em razão do comprometimento da situação econômico-financeira, além de infrações às normas que regulam a atividade bancária e descumprimento de determinações da autoridade monetária. A decisão atinge o Banco Pleno S.A. e também a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., integrantes do conglomerado prudencial Pleno.
Enquanto isso, o FGC informou que possui cerca de R$ 160 bilhões em patrimônio, dos quais aproximadamente R$ 125 bilhões estariam disponíveis para uso imediato. Ainda assim, diante do volume elevado de pagamentos, o Conselho do Fundo aprovou um plano de recomposição. O modelo prevê o adiantamento inicial de cinco anos de contribuições por parte dos bancos. Posteriormente, em 2027, haverá nova antecipação de 12 meses de repasses e, em 2028, outros 12 meses, totalizando sete anos de contribuições adiantadas.
Além dessa medida, o plano inclui um aumento extraordinário entre 30% e 60% no valor pago mensalmente pelas instituições financeiras ao FGC. Paralelamente, os bancos defendem a possibilidade de redirecionar recursos de compulsórios bancários para reforçar o Fundo, embora essa proposta ainda dependa de autorização do Banco Central. Até a semana passada, o FGC já havia desembolsado R$ 37 bilhões, o equivalente a mais de 90% do total devido aos credores do Master. Também foi antecipado o pagamento de investidores do Will Bank que tinham até R$ 1 mil a receber, a um custo de R$ 200 milhões, enquanto os demais aguardam a consolidação da base de credores pelo liquidante. O Pleno, por sua vez, havia sido vendido em 2025 para um ex-sócio do Master e já não integrava o conglomerado.







