Ouça este conteúdo
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) realizou, nesta terça-feira (28/10), uma operação para investigar um possível esquema de superfaturamento de recursos públicos em Campo Florido, no Triângulo Mineiro. A ação, batizada de “Expocampo”, apura irregularidades nos gastos do evento realizado em julho e já cumpriu 28 mandados de busca e apreensão na cidade. Entre os alvos estão o vice-prefeito e o presidente da Câmara Municipal.
Fique por dentro! Receba as notícias do G5 Minas em primeira mão no WhatsApp.
Durante a operação, foram apreendidos celulares, computadores e documentos em órgãos públicos, como a Secretaria de Licitação e Contas e o escritório de contabilidade da prefeitura. A Prefeitura de Campo Florido informou que abriu uma auditoria interna para apurar o caso. A ação é conduzida pela Delegacia de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro de Uberaba, com apoio do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e determinação da 2ª Vara Criminal de Uberaba.
De acordo com as investigações, um grupo criminoso teria usado o Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Regional (Convale) como intermediário dos pagamentos, criando empresas de fachada para vencer licitações da prefeitura. Essas empresas, recém-constituídas e sem estrutura adequada, teriam apresentado valores duplicados e contratos incompatíveis com o porte do evento, o que indica favorecimento político.
O delegado Felipe Colombari explicou que os contratos investigados envolvem desde valores menores até credenciamentos milionários. Segundo ele, “essas contratações foram feitas com empresas recém-constituídas, sem estrutura compatível com o objetivo social do evento, sediadas em imóveis residenciais e, muitas vezes, vinculadas a agentes ou ex-agentes políticos de um mesmo grupo. Casos em que, 20 ou 30 dias após a criação das empresas, elas já estavam contratadas e recebendo recursos públicos”.
A investigação aponta ainda que as licitações eram direcionadas para eliminar a concorrência e beneficiar as empresas de fachada. O uso do Convale como intermediário financeiro também está sob análise. A duplicidade de depósitos será verificada para definir se houve erro administrativo ou intenção deliberada de desvio por parte dos gestores. Até o momento, nenhum servidor do Convale foi alvo das buscas.







