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A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar a atuação de influenciadores digitais que atacaram o Banco Central nas redes sociais após a liquidação do Banco Master, ocorrida no fim do ano passado. A apuração busca esclarecer se houve pagamento, coordenação ou uma estrutura organizada para a produção de conteúdos em defesa do banco e contra a decisão da autoridade monetária. A informação foi confirmada pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao G1. De acordo com a coluna da jornalista Malu Gaspar, do O Globo, documentos, prints de conversas e comprovantes bancários foram apresentados à reportagem e detalham as propostas e os valores envolvidos.
De acordo com a Polícia Federal, os relatos que motivaram a abertura do inquérito partiram dos próprios influenciadores, que afirmaram ter recebido propostas para publicar vídeos e postagens com uma narrativa crítica à atuação do Banco Central. O objetivo seria questionar a rapidez da decisão que levou à liquidação do banco e, ao mesmo tempo, reforçar argumentos favoráveis à instituição controlada por Daniel Vorcaro.
Segundo a coluna, os contratos oferecidos a influenciadores de direita faziam parte do chamado “projeto DV”, referência ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. As propostas chegavam a R$ 2 milhões e incluíam cláusulas de sigilo absoluto para manter a aparência de um movimento orgânico contra o Banco Central. Os valores variavam conforme o alcance dos perfis. Um influenciador com mais de 1 milhão de seguidores recebeu oferta de R$ 2 milhões por três meses de trabalho, com a exigência de oito postagens mensais. Em outro caso, um perfil com menos de 500 mil seguidores teria recebido proposta de R$ 250 mil pelo mesmo período e número de publicações. Ainda de acordo com os materiais analisados, em pelo menos uma situação o pagamento foi feito antes mesmo da publicação dos conteúdos. Dois influenciadores que avançaram nas negociações afirmaram que o contratante final seria a Agência MiThi, mantida por Thiago Miranda, ex-CEO e sócio do Grupo Leo Dias, com 10% de participação. Prints de depósitos bancários indicam que ao menos um pagamento saiu diretamente da conta de Miranda.
Enquanto isso, a defesa do Banco Master afirmou não ter conhecimento de qualquer contratação de influenciadores com o objetivo de atacar ou difamar o Banco Central e negou envolvimento nas iniciativas relatadas. Procurado, Leo Dias afirmou que a Agência MiThi não tem relação com o portal que leva seu nome e disse que Miranda deixou o comando do grupo em junho. Thiago Miranda não respondeu aos contatos.
A apuração também cita o deputado estadual Leo Siqueira (Novo-SP), que relatou ter sido abordado em nome da Agência MiThi, mas recusou a proposta. Segundo ele, ao perceber que se tratava de uma possível gestão de crise ligada a Daniel Vorcaro, cortou o contato. Prints mostram que ele recebeu mensagem do publicitário André Salvador, ligado à UNLTD Brasil, especializada em perfis de direita. Outro agente citado é Junior Favoreto, do Portal Group Br. Em paralelo, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que identificou, no fim de dezembro, um volume considerado atípico de publicações sobre o tema nas redes sociais, avalia se houve ataque coordenado e afirma que segue monitorando o caso.







