Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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PF encontra foto de TH Joias na cama com R$ 5 milhões

Ex-deputado movimentou R$ 140 milhões em cinco anos e usava laranjas, empresas de fachada e operações de câmbio para criminosos do Alemão

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A Polícia Federal descobriu fotos do ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, deitado sobre uma cama coberta por R$ 5 milhões em espécie. Documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e investigações da PF indicam que TH e seu grupo movimentaram cerca de R$ 140 milhões em cinco anos. Segundo a investigação, o ex-deputado usava operações de câmbio, empresas supostamente legais e “laranjas” para dissimular o patrimônio e repassar grandes quantias de dinheiro a criminosos do Complexo do Alemão, incluindo o traficante Luciano Martiniano da Silva, o Pezão.

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A ostentação de TH era notória. Além da foto na cama, ele também foi registrado segurando maços de dinheiro em outros pontos da residência de Gabriel Dias Oliveira, o Índio, ou em sua própria casa. A Polícia Federal acredita que, na imagem da cama, o ex-deputado estava com R$ 5 milhões pertencentes a Pezão. TH foi preso na quarta-feira (03/09), e a investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, da PF e do Ministério Público Federal detalha o sofisticado esquema de lavagem de dinheiro do grupo, envolvendo grandes volumes de dinheiro em espécie, operações de câmbio no mercado paralelo e transferências incompatíveis com a renda declarada.

Entre abril e maio de 2024, TH converteu R$ 9 milhões em dólares para Pezão. Em abril, por exemplo, ele transformou R$ 5 milhões em US$ 1 milhão. Parte do dinheiro foi enviada a Dudu, no bairro de Copacabana, para câmbio, e o restante ficou com TH, que levou a quantia para sua casa na Barra da Tijuca. Ao longo de abril, ele repassou os dólares a Índio em diferentes datas: US$ 405 mil em 19/4, US$ 270 mil em 21/4 e US$ 265 mil em 30/4. Em 30/4, os US$ 60 mil restantes foram entregues a Índio, completando US$ 1 milhão.

Em maio, Pezão entregou a TH R$ 4 milhões e recebeu US$ 750 mil. A PF observa que TH cobrava taxas de conversão mais altas que doleiros comuns, levantando suspeitas de que embolsava a diferença. Além disso, a investigação mostra que Pezão voltou ao Complexo do Alemão em 2022 após anos fugindo da polícia. Em 2023, Índio comunicou TH sobre a necessidade de enviar dinheiro a Pezão. Em uma das ocasiões, R$ 55 mil foram entregues pessoalmente pelo pagamento de equipamentos antidrones.

Para a Polícia Federal, o grande volume de dinheiro em espécie é uma estratégia clara do grupo para evitar o sistema bancário e dificultar o rastreamento das transações ilícitas. Os relatórios de inteligência financeira (RIFs) apontam que TH, Dudu e Índio estruturaram um esquema sofisticado, consolidando e expandindo as operações do crime organizado por meio de métodos complexos de lavagem de dinheiro, incluindo conversão de reais em dólares e uso de empresas de fachada.