Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Pesquisadores da UEPB criam método que detecta metanol em bebidas com até 97% de precisão

Equipe avança com proposta de canudo que muda de cor ao identificar contaminação e promete mais segurança no consumo de destilados

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Pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) criaram um método rápido e eficaz para identificar a presença de metanol em bebidas alcoólicas, com até 97% de precisão. A inovação utiliza luz infravermelha e software especializado para detectar adulterações, mesmo em garrafas lacradas, e já permite identificar adição de água ou outros compostos que não fazem parte da composição original. Agora, a equipe avança na criação de um canudo que muda de cor ao entrar em contato com o metanol, oferecendo uma segurança extra para o consumidor.

O método desenvolvido pelos cientistas funciona ao emitir luz infravermelha sobre a bebida, provocando agitação nas moléculas. Em seguida, o software interpreta os dados coletados e identifica qualquer substância irregular. Inicialmente, a pesquisa analisou cachaça, mas a tecnologia pode ser aplicada em outros destilados, ampliando o alcance da detecção de fraudes e riscos à saúde.

“A gente está desenvolvendo uma solução em que vai ter um canudo impregnado com a substância química, que ao contato com o metanol, ela vai mudar de cor. Isso vai fazer com que o usuário também tenha uma segurança de, quando estiver consumindo a bebida, de que a bebida não tem o teor de metanol”, explica Nadja Oliveira, pró-reitora de pós-graduação da UEPB. A iniciativa ganha ainda mais relevância diante da atual crise do metanol no Brasil, que registrou 102 casos de intoxicação, com ocorrências em estados como São Paulo, Pernambuco, Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul. Até o momento, não há casos suspeitos na Paraíba.

David Fernandes, autor do artigo, destaca que a metodologia consegue diferenciar se a bebida passou por alterações naturais do processo de produção ou se sofreu alguma adulteração intencional. Segundo ele, “essa metodologia foi capaz de, além de identificar se a cachaça estava adulterada com compostos que são característicos da própria produção, ou se foi feita alguma alteração fraudulenta como água ou algum outro composto”. O método foi desenvolvido entre 2023 e 2025, período em que os pesquisadores publicaram dois artigos sobre a técnica na revista Food Chemistry, uma das principais publicações sobre química e bioquímica de alimentos.