Ouça este conteúdo
O Palácio de Buckingham informou nesta segunda-feira (09/02) que está pronto para colaborar com qualquer investigação policial envolvendo o príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, após novos e-mails indicarem que ele pode ter compartilhado documentos confidenciais do comércio britânico com Jeffrey Epstein, além das suspeitas de envolvimento com menores de idade. Segundo comunicado oficial, o rei Charles III está “profundamente preocupado” com as acusações que continuam surgindo. O palácio afirmou: “Embora as alegações específicas em questão devam ser abordadas pelo Sr. Mountbatten-Windsor, se formos contatados pela Polícia do Vale do Tâmisa, estaremos prontos para apoiá-los”, acrescentando que “os pensamentos e a solidariedade de suas majestades estiveram, e continuam estando, com as vítimas de todas e quaisquer formas de abuso.”
Fique por dentro! Receba as notícias do G5 Minas em primeira mão no WhatsApp.
Andrew foi afastado do núcleo da família real por sua relação próxima com Epstein e voltou ao centro das atenções após a divulgação de milhões de novos documentos ligados ao criminoso sexual americano condenado. Em outra declaração, um porta-voz reforçou: “O rei deixou claro, em palavras e por meio de ações sem precedentes, sua profunda preocupação com as alegações que continuam a surgir em relação à conduta do sr. Mountbatten-Windsor”. Ainda nesta segunda-feira, durante uma visita oficial à cidade de Clitheroe, no norte da Inglaterra, Charles foi questionado por um homem na multidão: “Charles , há quanto tempo você sabe sobre Andrew e Epstein?” O monarca não respondeu.
Os documentos divulgados pelo governo dos Estados Unidos voltaram a expor a proximidade entre Andrew e Epstein, inclusive após a condenação do americano por crimes sexuais contra crianças. De acordo com os arquivos, e-mails sugerem que Andrew compartilhou, em 2010, relatórios oficiais sobre Vietnã, Singapura e outros destinos, recebidos durante sua atuação como enviado comercial do governo britânico. Enviados comerciais, no entanto, são proibidos de repassar documentos sensíveis ou estratégicos. A Polícia do Vale do Tâmisa confirmou que o caso foi comunicado e que avalia a abertura de uma investigação formal.
Como consequência das revelações, Andrew perdeu o título de príncipe e deixou sua residência oficial em Windsor, mas manteve privilégios reais, passando a viver em Sandringham, conhecida como “a casa mais confortável da Inglaterra”. Aos 65 anos, o segundo filho da rainha Elizabeth II sempre negou irregularidades e não comentou as novas divulgações. Em 2022, ele fechou um acordo em um processo movido por Virginia Giuffre, que o acusou de abuso sexual quando era adolescente, embora ele negue as acusações. Giuffre morreu por suicídio em abril do ano passado.
Na nova leva de documentos, um e-mail parece confirmar a autenticidade de uma fotografia do então príncipe Andrew com Virginia Giuffre. Em seu livro de memórias póstumo, “Nobody’s Girl”, Giuffre relatou que a imagem foi feita em 10 de março de 2001, na casa de Ghislaine Maxwell, em Londres, quando ela tinha 17 anos, afirmando que foi forçada a fazer sexo com Andrew horas depois. Ela disse que a foto foi tirada com uma câmera descartável Kodak FunSaver, revelada em 13 de março de 2001, em West Palm Beach, e mostrada posteriormente à repórter Sharon Churcher, do The Mail on Sunday, e ao fotógrafo Michael Thomas. Um dia após a publicação da foto na imprensa britânica, Andrew escreveu a Epstein: “Parece que estamos juntos nisto e teremos de superar isto… Caso contrário, mantenha-se em contacto e voltaremos a jogar em breve!!!!” O último lote de documentos, que inclui imagens que parecem mostrar Andrew agachado sobre uma mulher ou menina deitada no chão, aumentou ainda mais a pressão política e pública sobre o irmão do rei.








