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Duas padarias investigadas pela Polícia e pelo Ministério Público, a Padaria Salamanca e a Iracema Pães & Doces, chegaram a figurar em listas das melhores de São Paulo. Localizadas em regiões valorizadas e com escritórios elegantes na Avenida Faria Lima, os estabelecimentos eram muito movimentados, elogiados pelo atendimento e vistos como espaços com clima familiar. No entanto, a apuração da Operação Carbono Oculto revelou que essas padarias faziam parte de um esquema do PCC para lavagem de dinheiro.
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Segundo a investigação realizada na quinta-feira (28/08), a facção utilizava uma rede com pelo menos nove padarias e empresas associadas em São Paulo para ocultar patrimônio e movimentar recursos de origem ilícita. O esquema também envolvia lojas de conveniência e usava “laranjas” e empresas de fachada para dificultar o rastreamento do dinheiro. A estratégia inseria o setor de panificação em uma teia de negócios que já incluía postos de combustíveis e até usinas sucroalcooleiras.
De acordo com o Ministério Público, a Dubai Administração de Bens Ltda. foi identificada como administradora da rede de padarias do grupo criminoso. A empresa chegou a aparecer em rankings como uma das maiores redes do setor no estado. Inicialmente, os sócios eram Hussein Ali Mourad e Tarik Ahmad Mourad, mas atualmente a companhia está em nome de Maria Edenize Gomes, apontada como “laranja” do PCC. Ela e Ellen Bianca de Franca Santana Resende são descritas como testas de ferro utilizadas para assumir a titularidade de diferentes estabelecimentos.
As investigações apontam ainda a atuação de Tharek Majide Bannout, parente de um dos líderes do esquema de combustíveis, que aparecia como sócio de diversas padarias. Para camuflar a sucessão de proprietários, foram criadas empresas com nomes semelhantes, como Nova Salamanca, Nova Iracema, Salamanca Pães e Doces Ltda. e Iracema da Angélica Pães e Doces Ltda., muitas vezes com mais de um CNPJ registrado no mesmo endereço. Essa mesma lógica foi aplicada às lojas de conveniência, em que empresas eram abertas e encerradas em pouco tempo, sempre com “laranjas” sem capacidade financeira comprovada.







