Belo Horizonte, 6 de março de 2026

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Operação Rejeito expõe esquema de corrupção e mineração ilegal em Minas Gerais

Investigação revela atuação de altos servidores e diretores da ANM em licenças irregulares e fiscalização neutralizada
Operação Rejeito revela esquema de mineração ilegal em Minas Gerais
Operação Rejeito revela esquema de mineração ilegal em Minas Gerais

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A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (17/09) a operação Rejeito, que revelou um esquema criminoso de mineração ilegal envolvendo órgãos ambientais de Minas Gerais e a Agência Nacional de Mineração (ANM). Desde 2020, empresários teriam mantido extrações em áreas tombadas, como a serra do Curral, em Belo Horizonte, e a serra de Botafogo, em Ouro Preto, graças a um sistema de corrupção que beneficiava a exploração mineral irregular. Durante a ação, 15 pessoas foram presas, duas seguem foragidas, e 79 mandados de busca e apreensão foram cumpridos.

Em resposta ao caso, o governo de Minas Gerais exonerou quatro servidores suspeitos de envolvimento na corrupção. Entre eles estão Arthur Ferreira Rezende Delfim e Fernando Baliani da Silva, diretores de Apoio à Regularização Ambiental da Feam; Breno Esteves Lasmar, diretor-geral do IEF e presidente da CPB; e Lirriet de Freitas Libório, chefe regional da Unidade de Regularização Ambiental do Leste de Minas. As exonerações foram publicadas em edição extra do Diário Oficial, reforçando a tentativa do governo de mostrar transparência diante do escândalo.

A investigação da Justiça Federal apontou indícios de corrupção sistêmica no governo de Minas e envolvimento de dois diretores da ANM. Segundo o documento que autorizou a operação, houve “provável pagamento de vantagens indevidas para obtenção de contrapartidas irregulares”, incluindo concessões e autorizações ambientais para projetos minerários ilegais. Além disso, a PF destacou que os crimes se estenderam desde 2020 e que diretores da ANM atuavam junto ao grupo criminoso desde, pelo menos, 2019, período do governo Bolsonaro (2018-2022).

O líder do esquema é apontado como Alan Cavalcante dos Santos, dono da mineradora Gute Sitch. Ele e os sócios Helder Adriano de Freitas e João Alberto Paixão Lages, ex-deputado estadual, tiveram prisão preventiva decretada. Em 2022, o trio teria criado o Grupo Minerar, empresa dedicada exclusivamente à administração das atividades ilícitas, com Alan coordenando o grupo, Helder na direção operacional e João Alberto nas relações interinstitucionais.

Segundo a PF, o grupo criminoso teria obtido um lucro mínimo de R$ 1,5 bilhão, enquanto os projetos ligados à organização tinham projeção de ganhos de R$ 18 bilhões. Para garantir a extração em áreas proibidas, o grupo corrompeu agentes públicos, incluindo servidores de órgãos como Iphan e a Secretaria de Meio Ambiente, obtendo licenças e autorizações ambientais de forma irregular, inclusive durante feriados e mesmo com documentos fora do prazo legal. Além de conseguir licenças, o grupo atuava para neutralizar a fiscalização ambiental, monitorando agentes do estado e lavando o dinheiro obtido com as atividades ilegais.