Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Navio de guerra dos EUA chega perto da Venezuela em meio à pressão de Trump sobre Maduro

A embarcação USS Gravely atracou em Trinidad e Tobago para treinamentos militares enquanto Caracas reage com exercícios de defesa e acusa Washington de preparar ações encobertas

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Um navio de guerra dos Estados Unidos chegou neste domingo (26/10) a Trinidad e Tobago, arquipélago localizado em frente à costa da Venezuela. A chegada do USS Gravely, destróier lançador de mísseis, ocorre em meio à crescente pressão do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o governo de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela. O movimento militar reforça o clima de tensão na região e levanta novas discussões sobre a influência dos EUA no Caribe.

O governo de Trinidad e Tobago, com cerca de 1,4 milhão de habitantes, já havia anunciado a chegada do navio na última quinta-feira (23). A ponta ocidental do país está a apenas dez quilômetros da costa venezuelana, o que aumenta o peso estratégico da operação. Segundo autoridades locais, o USS Gravely permanecerá atracado em Port of Spain, capital do arquipélago, até quinta-feira da próxima semana, 30 de outubro. Durante o período, está previsto um treinamento conjunto entre fuzileiros navais norte-americanos e as forças de defesa trinitárias.

A presença do navio tem sido interpretada de diferentes formas pela população. “Há uma boa razão para trazerem seu navio de guerra para cá. É para ajudar a limpar os problemas de drogas que estão no território venezuelano”, afirmou Lisa, uma moradora de 52 anos que preferiu não divulgar o sobrenome. “É por uma boa causa, muitas pessoas serão libertadas da opressão e do crime”, acrescentou.

A primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, é uma defensora do governo Trump e tem mantido um discurso duro contra a imigração e a criminalidade vindas da Venezuela desde que assumiu o cargo, em maio de 2025. Caracas, por outro lado, acusa o novo governo trinitário de atuar em favor dos interesses de Washington. Em resposta, o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, informou no sábado (25) que o país iniciou exercícios militares de defesa costeira para proteger o território de possíveis “operações encobertas” dos Estados Unidos. “Estamos desenvolvendo um exercício que começou há 72 horas, um exercício de defesa costeira, para nos protegermos não apenas das ameaças militares em larga escala, mas também do narcotráfico, das ameaças terroristas, das operações encobertas que procuram desestabilizar o interior do país”, declarou Padrino.

Militares venezuelanos foram deslocados para o litoral em cumprimento à ordem do presidente Nicolás Maduro, que afirmou que os Estados Unidos “estão inventando uma guerra” contra a Venezuela. Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se dispôs, também neste domingo (26), a atuar como interlocutor entre os EUA e a Venezuela. A proposta foi apresentada durante uma reunião entre Lula e Trump, à margem da Cúpula da Associação dos Países do Sudeste Asiático (Asean), em Kuala Lumpur. Segundo o presidente brasileiro, “o Brasil estará sempre disposto a atuar como elemento da paz e do entendimento, o que sempre foi a tradição do Brasil e continuará sendo”.