Ouça este conteúdo
O mundo entrou em uma fase de falência global da água, segundo relatório da Universidade das Nações Unidas (UNU) divulgado nesta terça-feira (20/01). De acordo com o estudo, em muitas bacias hidrográficas e aquíferos, o uso de água a longo prazo já ultrapassou as fontes renováveis e os limites considerados seguros. Isso significa, portanto, que a humanidade está consumindo mais água do que a natureza consegue repor, o que agrava a crise hídrica global e ameaça o abastecimento futuro.
Fique por dentro! Receba as notícias do G5 Minas em primeira mão no WhatsApp.
Segundo os pesquisadores, esse cenário é resultado da combinação entre esgotamento crônico das águas subterrâneas, uso excessivo de recursos hídricos, degradação do solo, desmatamento e poluição. Além disso, o aquecimento global intensifica esses impactos, tornando a situação ainda mais crítica. O relatório destaca que zonas úmidas foram eliminadas em larga escala e que parte do capital hídrico natural, como rios, lagos, aquíferos, solos e geleiras, foi danificada além da capacidade de recuperação.
O estudo faz uma comparação com o sistema financeiro para explicar o problema. Em termos práticos, muitas sociedades não apenas ultrapassaram o “rendimento anual” de água renovável, proveniente de rios, solos e neve, como também passaram a consumir as “reservas” de longo prazo, armazenadas em aquíferos, geleiras e zonas úmidas. Esse padrão, segundo o documento, torna o sistema hídrico global cada vez mais vulnerável.
A pesquisa também chama atenção para a dependência da água subterrânea, que hoje responde por cerca de 50% do consumo doméstico mundial e mais de 40% da água usada na irrigação. No entanto, cerca de 70% dos principais aquíferos do planeta apresentam tendência de queda contínua, e a extração excessiva já causou subsidência do solo em mais de 6 milhões de quilômetros quadrados, o que representa quase 5% da área terrestre global.
Além disso, aproximadamente 70% da água doce retirada no mundo é destinada à agricultura, setor diretamente ligado à segurança alimentar. Segundo o relatório, cerca de 3 bilhões de pessoas e mais da metade da produção global de alimentos estão em regiões onde o armazenamento total de água está em declínio ou é instável. Atualmente, quase três quartos da população mundial vivem em países considerados inseguros ou criticamente inseguros em relação à água.







