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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi convidado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o chamado “Conselho de Paz” para Gaza, iniciativa voltada ao fim do conflito na região. O convite foi confirmado pelo Itamaraty e chegou ao governo brasileiro por meio da Embaixada do Brasil em Washington. O anúncio oficial do plano ocorreu na sexta-feira (16/01) pela Casa Branca e prevê um conjunto de 20 pontos, com foco na desmilitarização, reconstrução e criação de uma governança transitória em Gaza.
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Segundo o Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro já iniciou uma análise detalhada da proposta, incluindo objetivos, estrutura do conselho e possíveis impactos financeiros. A resposta oficial de Lula deve ser apresentada apenas na próxima semana, já que a orientação é avaliar o convite com cautela, evitando decisões apressadas diante da complexidade do cenário internacional e das responsabilidades envolvidas.
Além de Lula, outros líderes mundiais também teriam sido convidados para o “Conselho de Paz”, entre eles o presidente da Argentina, Javier Milei; o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer; o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan; o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi; e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. A proposta prevê ainda a criação de um “Conselho Executivo fundador” e de um “Conselho Executivo de Gaza”, responsável por supervisionar o trabalho do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), órgão encarregado da governança temporária e da reconstrução do território.
Até o momento, não foram anunciadas mulheres nem representantes palestinos entre os integrantes do grupo. No entanto, a Casa Branca informou que novos membros devem ser divulgados nas próximas semanas, ampliando a composição do conselho, que deve reunir líderes de diferentes países e ficar acima dos demais órgãos executivos previstos no plano.
A iniciativa, porém, gerou controvérsia após a divulgação de uma minuta de carta obtida pela agência Reuters e detalhada pela Bloomberg News, segundo a qual Trump propõe que os países participantes contribuam com US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,37 bilhões) para permanecer no conselho. O documento afirma que “cada Estado-Membro cumprirá um mandato não superior a três anos”, com possibilidade de renovação pelo presidente dos EUA, e acrescenta que o limite não se aplicaria a países que aportarem valores superiores no primeiro ano. A Casa Branca negou a existência de qualquer taxa mínima, classificou a reportagem como “enganosa” e declarou no X que “isso simplesmente oferece filiação permanente a países parceiros que demonstrem profundo compromisso com a paz, a segurança e a prosperidade”. Já o Departamento de Estado respondeu ao questionamento sobre o assunto remetendo a publicações anteriores em redes sociais feitas por Trump e por seu enviado especial, Steve Witkoff, nas quais não há menção a valores.







