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A Justiça de Minas Gerais determinou nesta sexta-feira (19/12) a prisão preventiva de Arthur Caique Benjamin de Souza, de 27 anos, acusado de matar Alice Martins, mulher trans espancada no dia 23 de outubro, na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte. O suspeito foi preso horas depois da decisão judicial e responde por feminicídio qualificado, segundo o processo. O advogado da família destacou que a medida reforça a responsabilização pelo crime. “A prisão representa um passo importante de responsabilização; agora, que o processo avance com celeridade para que os réus sejam pronunciados, julgados pelo Tribunal do Júri e respondam por tudo o que fizeram, em respeito à memória da Alice e à sua família.”, afirmou Tiago Lenoir.
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Ainda conforme a decisão, o outro indiciado, William Gustavo de Jesus do Carmo, de 20 anos, permanece em liberdade. De acordo com a juíza Ana Carolina Rauen, do 1º Tribunal do Júri Sumariante, a participação dele no crime “demanda mais aprofundamentos”. A magistrada ressaltou que surgiram fatos novos no processo e que as provas reunidas justificaram a prisão de Arthur, enquanto, no caso de William, não há, até o momento, elementos suficientes para uma medida mais grave.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Arthur teria iniciado as agressões ao cobrar uma dívida de R$ 22 da vítima. A partir disso, ele passou a desferir socos e chutes em Alice, provocando politraumatismo, fraturas e perfuração intestinal. Além disso, um novo laudo pericial afastou dúvidas anteriores sobre a causa da morte. “Sendo possível afirmar, neste momento processual, que a agressão perpetrada por Artur constituiu a causa primária do resultado morte”, escreveu a juíza na decisão.
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Já em relação a William, a Justiça apontou que não há comprovação de violência física direta. Conforme registrado no processo, “a participação atribuída ao referido corréu limita-se, até o presente momento, à condição de segundo indivíduo presente no local dos fatos”, com relatos de que ele teria zombado da vítima e instigado a continuidade das agressões, mas sem indícios seguros de que tenha impedido a vítima de buscar socorro ou participado ativamente dos golpes.
As investigações da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) foram concluídas e confirmaram a ligação direta entre as agressões e a morte de Alice. De acordo com a delegada Iara França Camargos, do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), os dois garçons do estabelecimento Rei do Pastel, na Savassi, perseguiram e encurralaram a vítima por cerca de 100 a 200 metros. Arthur foi apontado como o principal responsável pelas agressões, enquanto a participação de William também foi considerada no inquérito.







