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Israel realizou um ataque de grande intensidade nesta quinta-feira (19/06) na Faixa de Gaza, atingindo diretamente um hospital e um corredor humanitário utilizado por civis. De acordo com a Defesa Civil de Gaza, 76 pessoas morreram nas ofensivas, sendo 21 delas enquanto buscavam ajuda alimentar. Os bombardeios ocorrem em meio a um bloqueio humanitário imposto por Israel desde março, que tem causado escassez severa de alimentos, medicamentos e itens básicos no território palestino.
O ataque deixou mortos em diferentes regiões de Gaza. Dez pessoas morreram em Khan Yunis, no sul — seis delas estavam na fila por ajuda humanitária. Outras 15 foram assassinadas no corredor de Netzarim, local central onde milhares se aglomeram todos os dias para tentar receber alimentos. Um vídeo divulgado após o ataque mostra a correria em um hospital próximo, que já havia sido atingido por bombardeios anteriores. Ainda segundo a Defesa Civil, outras 51 vítimas foram registradas em nove ataques separados em Gaza e no norte do território.
A situação em Netzarim se agravou após o Exército israelense realizar disparos contra pessoas que, segundo eles, seriam “suspeitos”. Ainda assim, as forças afirmaram à AFP que não há registro de feridos, apesar dos inúmeros relatos de testemunhas no local. Entre elas, Basam Abu Shaar, um palestino deslocado, relatou por telefone que “milhares se reuniram na madrugada para tentar pegar comida, mas por volta da 1h, tanques, aviões e drones começaram a atirar”. Ele disse ter visto corpos caídos próximos ao centro da fundação GHF (Gaza Humanitarian Foundation), onde aguardavam as entregas de mantimentos.
A GHF, que começou suas operações no final de maio com apoio dos Estados Unidos e Israel, tem enfrentado dificuldades devido aos ataques recorrentes e à falta de segurança. Segundo o Ministério da Saúde controlado pelo Hamas, ao menos 397 pessoas foram mortas e mais de 3.000 ficaram feridas desde o início das distribuições humanitárias, números reconhecidos pela ONU. As vítimas dos ataques mais recentes foram levadas aos hospitais Al Awda e Al Aqsa, no norte e centro do território.
A guerra, iniciada após o ataque do Hamas a Israel em outubro de 2023, já deixou mais de 55 mil mortos em Gaza, de acordo com dados das autoridades locais. Do lado israelense, os ataques do Hamas causaram 1.219 mortes, segundo números oficiais. As informações desta quinta não puderam ser verificadas de forma independente, devido às severas restrições impostas à imprensa e à dificuldade de acesso ao território palestino em guerra.







