Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Irã anuncia execução de manifestante em meio a protestos

Regime marca enforcamento de jovem de 26 anos enquanto repressão cresce, mortes se acumulam e líderes internacionais reagem à escalada de violência no país
Irã anuncia execução de manifestante em meio a protestos
Irã anuncia execução de manifestante em meio a protestos - Foto: MAHSA / Middle East Images / AFP via Getty Images

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O Irã anunciou a execução por enforcamento do manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, marcada para esta quarta-feira (14/01), em meio à onda de protestos que já dura 16 dias contra a ditadura dos aiatolás. A informação foi divulgada por organizações de direitos humanos, que denunciam julgamentos rápidos e repressão violenta. Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que os iranianos continuem protestando e afirmou que “a ajuda está a caminho”.

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Mesmo sem acesso à internet há cinco dias, milhares de pessoas seguem nas ruas protestando contra a crise econômica e a alta dos preços, o que rapidamente evoluiu para pedidos pela queda do regime islâmico no poder desde 1979. Relatos obtidos indicam necrotérios lotados, execuções e tiros disparados pela Guarda Revolucionária contra civis. Um oficial iraniano disse ao jornal The New York Times que o número de mortos pode chegar a três mil, enquanto médicos relataram sinais de execuções sumárias nos corpos.

Segundo a agência de direitos humanos HRANA, ao menos 1.850 manifestantes morreram desde o início dos protestos, enquanto 153 pessoas ligadas ao governo também foram mortas. Já um site iraniano com sede no Reino Unido estima que o total de mortos possa chegar a 12 mil. Além disso, a HRANA afirma que muitas confissões exibidas pela TV estatal são obtidas sob coação e tortura, com presos sendo forçados a declarar vínculos com os Estados Unidos e Israel.

Erfan Soltani foi preso em casa na semana passada e, de acordo com a família, não teve acesso a um advogado. O julgamento teria durado apenas dois dias, e a sentença foi informada como definitiva, sem possibilidade de recurso. Organizações denunciam que o objetivo dessas execuções é intimidar e conter os protestos. No ano passado, segundo a HRANA, 11 execuções no Irã foram realizadas em público.

A repressão inclui ainda bloqueio de internet e telefonia em todo o país. O ministro da Justiça, Amin Hossein Rahimi, afirmou que qualquer pessoa que tenha participado dos protestos desde o dia 8 será considerada criminosa. O líder supremo, Aiatolá Ali Khamenei, determinou que tribunais especiais julguem os manifestantes, tratados como terroristas pelo regime. Em Genebra, o chefe da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, disse estar horrorizado e pediu o fim imediato das mortes de manifestantes pacíficos.