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O Irã ameaçou nesta quarta-feira (14/01) bombardear bases dos Estados Unidos no Oriente Médio caso o país sofra um ataque externo. O aviso foi direcionado a nações como Turquia, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que abrigam tropas americanas. Ao mesmo tempo, o governo italiano pediu que seus cidadãos deixem o território iraniano diante do aumento das tensões.
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Enquanto isso, o país enfrenta uma forte escalada de protestos, considerada por autoridades iranianas e governos ocidentais a mais intensa desde a Revolução Islâmica de 1979. Em Teerã, parentes de jovens manifestantes mortos aguardam a liberação dos corpos em frente a prédios governamentais, segundo relatos de testemunhas que escaparam da censura. Paralelamente, o governo organizou funerais para agentes de segurança mortos nos confrontos, com acusações públicas contra Israel e os Estados Unidos, apontados como incentivadores da violência.
O discurso oficial também ficou mais duro. O chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, defendeu punições rápidas para pessoas acusadas de atos violentos durante as manifestações, reforçando o tom de repressão adotado pelo Estado diante dos protestos em várias cidades do país.
No caso do manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, preso em Karaj, a ONG curdo-iraniana Hengaw havia informado que ele seria executado por enforcamento nesta quarta-feira (14). No entanto, a Justiça do Irã afirmou nesta quinta-feira (15/01) que Soltani não foi condenado à pena de morte e responde por acusações de “conluio contra a segurança interna do país e atividades de propaganda contra o regime”, crimes que, segundo o Judiciário, não preveem execução. A informação foi divulgada pela Reuters, com base na mídia estatal iraniana, e a ONG confirmou que a execução foi adiada após contato com familiares.
A TV estatal iraniana reconheceu pela primeira vez um grande número de mortos, mas sem divulgar cifras. Já organizações de direitos humanos apresentam estimativas divergentes: o grupo Hrana afirma ter confirmado mais de 2,4 mil manifestantes mortos e 147 pessoas ligadas ao governo, enquanto um canal iraniano sediado no Reino Unido fala em até 12 mil mortes. O cenário é agravado pelo bloqueio da internet, que já dura uma semana e dificulta a verificação independente das informações.







