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Apesar das declarações do presidente Donald Trump sobre uma “obliteração total”, os ataques lançados pelos Estados Unidos no último sábado (21/06) contra instalações nucleares do Irã não destruíram o programa atômico do país, segundo avaliação preliminar da Agência de Inteligência da Defesa (DIA, na sigla em inglês). O relatório, divulgado por veículos americanos nesta terça-feira (25/06), revela que o impacto foi limitado e que o programa nuclear iraniano foi apenas adiado por alguns meses, contrariando o discurso da Casa Branca.
De acordo com o documento de cinco páginas, que representa a primeira análise oficial interna do governo dos EUA, os bombardeios conseguiram bloquear acessos de algumas instalações, mas não danificaram os prédios subterrâneos onde grande parte das operações nucleares acontecem. O jornal The New York Times, que teve acesso ao relatório, afirma que o atraso causado pelas ações militares é de menos de seis meses. Antes do ataque, os próprios serviços de inteligência estimavam que o Irã poderia produzir uma bomba em até três meses, caso decidisse acelerar o processo.
Outro ponto levantado pela análise é que o Irã conseguiu mover parte significativa de seu estoque de urânio enriquecido antes dos ataques, o que minimizou os danos materiais causados pelos mísseis americanos e israelenses. Apesar da grandiosidade dos ataques — incluindo o lançamento de 14 bombas de 30 mil libras —, a maioria do material nuclear permaneceu intacta.
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A situação gerou nova crise de transparência no governo dos EUA. Até agora, o Congresso americano não recebeu explicações sobre os critérios usados para autorizar o ataque nem sobre os impactos reais das ações. Uma reunião que estava prevista para esta terça-feira com parlamentares foi cancelada sem justificativas.
Em resposta ao vazamento do relatório, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karline Leavitt, acusou os responsáveis pela divulgação de tentarem prejudicar Trump e os militares envolvidos. “Todos sabem o que acontece quando você lança 14 bombas de 30.000 libras perfeitamente em seus alvos: obliteração total”, declarou. Trump também reafirmou que o ataque foi um “sucesso militar espetacular”. Já o secretário de Defesa, Pete Hegseth, defendeu que o programa iraniano foi “devastado”, embora o general Dan Caine tenha adotado um tom mais moderado.
Do lado iraniano, o chefe da Organização de Energia Atômica, Mohammad Eslami, afirmou que o país já havia tomado medidas para manter o funcionamento do programa nuclear. “Os planos para reiniciar [as instalações] foram preparados com antecedência, e nossa estratégia é garantir que a produção e os serviços não sejam interrompidos”, declarou Eslami.







