Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Influenciadoras fazem propaganda para site investigado por tráfico humano

Suposta oportunidade de emprego esconde conexão com companhia russa apontada em denúncias de aliciamento
Influencers fazem propaganda para site investigado por tráfico humano
Influencers fazem propaganda para site investigado por tráfico humano

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Um caso tomou conta das redes sociais entre ontem e hoje (1º/10) e acendeu um alerta entre jovens de 18 a 22 anos. Influenciadoras digitais brasileiras com milhões de seguidores divulgaram o chamado Start Program, uma suposta oportunidade de trabalho na Rússia. O problema é que o programa está diretamente ligado à Alabuga Start, empresa investigada pela Interpol por tráfico humano. Reportagens internacionais já haviam revelado que o mesmo modelo de aliciamento foi usado com jovens africanas, e agora, no Brasil, chegou disfarçado de promessa de emprego legalizado.

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As propagandas circulavam em vídeos no Instagram e TikTok, em que criadoras de conteúdo afirmavam que os participantes receberiam até US$ 680 por mês. Além disso, destacavam benefícios como passagens aéreas, acomodação, seguro médico, aulas de russo e “documentação garantida”. Os vídeos eram abertos com frases de impacto como: “Você já pensou em morar fora, trabalhar e ainda receber por isso?”. A proposta era de dois anos de atuação em áreas como hospitalidade, logística, alimentação e produção.

No entanto, a realidade descrita em relatórios internacionais é bem diferente. De acordo com a Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC), mulheres que entraram no programa enfrentaram jornadas exaustivas, vigilância constante e problemas de saúde por exposição a produtos químicos. Além disso, muitas tiveram seus passaportes retidos para impedir fuga e restrições severas de movimento dentro da chamada zona econômica especial.

No Brasil, nomes como MC Thammy, Catherine Bascoy, Aila Loures e Isabella Duarte foram algumas das responsáveis por divulgar a oportunidade. Em um dos vídeos de maior repercussão, MC Thammy chegou a afirmar que toda a documentação de imigração seria custeada pela empresa, reforçando a falsa garantia de legalidade. A publicidade enganosa ganhou destaque após denúncias feitas pelos influenciadores Guga Figueiredo, Gizelly Bicalho e Marcella Garbim, que alertaram para os riscos. O vídeo de alerta publicado por Guga ultrapassou 700 mil visualizações.

As investigações revelam ainda que o programa, na prática, funcionava como um esquema de aliciamento. Muitas mulheres, atraídas pela promessa de cursos e desenvolvimento profissional, eram obrigadas a realizar trabalhos pesados, como faxina e serviços de buffet. Outras foram direcionadas para a produção de armas de guerra, incluindo a montagem de drones de ataque iranianos do modelo Shahed, usados pela Rússia contra a Ucrânia. Reportagem da Associated Press em 2024 confirmou que adolescentes também foram vistos na linha de produção. Alabuga é a maior fábrica de drones da Rússia. Só em 2024, entre janeiro e setembro, a unidade produziu mais de 5.700 drones, o dobro do ano anterior. A meta declarada por autoridades militares era alcançar a marca de 10 mil equipamentos do tipo Gerbera. Também é importante destacar que, no Brasil, não existe qualquer registro de funcionamento legal da empresa.