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A COP-30, realizada em Belém, começou a sexta-feira (14/11) com um novo protesto dos indígenas Munduruku, que bloquearam o acesso principal da conferência para denunciar o Plano Nacional de Hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, além das discussões sobre créditos de carbono, que eles classificam como uma “venda da floresta”. Por causa do bloqueio, a entrada dos participantes passou a ser feita por uma via lateral.
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A mobilização ocorre enquanto ao menos duas dezenas de viaturas da Polícia Militar, bombeiros e agentes da Força Nacional reforçam a segurança. O protesto vem um dia depois de o secretário para o Clima da ONU, Simon Stiell, cobrar do governo brasileiro melhorias no esquema de segurança e na infraestrutura do evento, que reúne 56 mil inscritos. O pedido foi feito após dezenas de indígenas e ativistas invadirem à força uma área restrita, deixando dois policiais com ferimentos leves.
Durante o incidente, os manifestantes conseguiram ultrapassar o sistema de raio X, mas foram barrados por um bloqueio interno. Além dos dois seguranças ficarem feridos, as portas da entrada também foram quebradas. A pressão aumentou diante do avanço das pautas da conferência e das críticas dos Munduruku ao plano que, segundo eles, pode abrir caminho para dragagens, derrocamento de pedrais sagrados e expansão de portos privados.
O presidente da COP-30, embaixador André Corrêa do Lago, foi ao encontro das lideranças indígenas e afirmou que as reivindicações são “legítimas”. Ele disse que “vamos conversar, vamos dialogar”, após ir ao local do protesto acompanhado da CEO da conferência, Ana Toni. Questionada se o ato atrapalha o funcionamento da COP-30, ela respondeu que “de jeito nenhum” e retornou à sede do evento.
Corrêa do Lago também informou que as ministras Marina Silva (Meio Ambiente) e Sonia Guajajara (Povos Indígenas) se reunirão com os manifestantes.







