Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Físicos criam o mapa mais preciso do planeta e o resultado foge de tudo o que conhecemos

Com formato em disco duplo, o novo modelo reduz distorções antigas e promete representar a Terra de forma mais fiel do que qualquer mapa já produzido
Mapa mais preciso da Terra
Mapa mais preciso da Terra

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Cientistas desenvolveram um novo mapa da Terra que promete ser o mais fiel já criado, desafiando séculos de tentativas de representar o planeta de forma precisa. O modelo foi desenvolvido por físicos e apresentado como uma espécie de “disco de vinil” com dois círculos, um para o hemisfério norte e outro para o hemisfério sul. Essa inovação busca resolver um dos maiores desafios da cartografia moderna: representar a superfície esférica da Terra em um plano sem causar grandes distorções. Embora ainda não seja perfeito, os autores afirmam que é a projeção mais precisa já desenvolvida. “Não se pode fazer tudo perfeito”, disse em nota à imprensa Richard Gott, um dos criadores. “Um mapa pode ser muito bom em um aspecto, mas não tão bom em representar outros.”

A dificuldade em criar mapas completamente fiéis é um problema que acompanha a humanidade há mais de meio milênio. Desde que se reconheceu que a Terra é esférica, os cartógrafos lutam contra as limitações da projeção plana. Durante séculos, isso não foi um obstáculo real, já que as primeiras cartas geográficas retratavam apenas partes da Eurásia e da África. As Américas, a Oceania e a Antártida só apareceram em mapas muito tempo depois. Além disso, as antigas representações não exigiam tanta precisão, pois eram voltadas a usos locais. Somente com o avanço da navegação e o crescimento do comércio marítimo é que a precisão cartográfica passou a ser indispensável.

A projeção de Mercator, criada no século XVI por Gerardus Mercator, foi um marco na cartografia e ainda é amplamente usada. Ela foi desenhada para auxiliar a navegação transoceânica, mantendo as formas dos continentes, mas distorcendo seus tamanhos, ampliando as regiões próximas aos polos e diminuindo as próximas ao equador. Com o tempo, surgiram projeções mais equilibradas, como a Winkel-Tripel, desenvolvida em 1921 pelo cartógrafo alemão Oswald Winkel. Essa versão se tornou um padrão de referência por oferecer um bom compromisso entre forma e proporção, sendo, inclusive, adotada pela National Geographic Society. Ainda assim, mesmo essa projeção apresenta distorções visíveis, especialmente nas áreas polares.

Em 2007, os físicos David Goldberg e Richard Gott criaram um sistema de pontuação para avaliar mapas com base em seis critérios: formas locais, áreas, distâncias, flexão, assimetria e cortes. Quanto menor a pontuação, menor a distorção. Um globo, por exemplo, teria pontuação 0,0. O método foi publicado na revista Cartographica: The International Journal for Geographic Information and Geovisualization. Seguindo essa escala, o mapa Winkel-Tripel atinge 4,563 pontos, enquanto o novo modelo, criado pelo mesmo grupo, reduz o erro para 4,497 pontos, tornando-se a projeção mais fiel até hoje.

O segredo está na continuidade. Diferentemente dos mapas tradicionais, que costumam apresentar cortes normalmente no Oceano Pacífico, o novo modelo elimina essa quebra criando um disco com duas faces, permitindo visualizar os hemisférios de forma contínua. O corte, posicionado no equador, garante que todas as partes do planeta estejam conectadas sem interrupções visuais. Além de representar a Terra, os autores também aplicaram essa projeção a outros corpos celestes, como planetas do Sistema Solar, a abóbada celeste e até o Fundo Cósmico de Micro-ondas, ampliando o alcance da descoberta para além do nosso planeta.