Belo Horizonte, 6 de março de 2026

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Faculdade dos EUA testa julgamento com ChatGPT, Grok e Claude no papel de jurados

Experimento acadêmico avalia o desempenho de inteligências artificiais em decisões judiciais e expõe riscos de substituir jurados humanos
Júri formado por inteligências artificiais
Júri formado por inteligências artificiais Foto: Reprodução/Eric Muller

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A Faculdade de Direito da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, realizou em 24 de outubro uma simulação que chamou atenção do mundo jurídico e tecnológico: um júri formado por sistemas de inteligência artificial, incluindo ChatGPT, Grok e Claude. O experimento avaliou o desempenho das IAs no julgamento fictício de Henry Justus, um estudante afro-americano acusado de roubo, sob uma suposta Lei de Justiça Criminal de IA de 2035. A proposta foi testar como tecnologias avançadas poderiam atuar em processos judiciais no futuro, substituindo humanos para reduzir erros e vieses cognitivos.

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Segundo a universidade, o objetivo era questionar até que ponto a inteligência artificial na Justiça pode tornar o sistema mais justo, ou, ao contrário, representar um risco aos direitos dos réus. A instituição explicou que o teste buscou entender os limites éticos e práticos de permitir que algoritmos tomem decisões em julgamentos reais, especialmente em casos que envolvem subjetividade e análise humana.

No entanto, o desempenho das IAs não convenceu. O professor Eric Muller, da própria Universidade da Carolina do Norte, acompanhou o julgamento e relatou no BlueSky que o painel de especialistas fez duras críticas à experiência. De acordo com ele, as máquinas não conseguiram interpretar a linguagem corporal das testemunhas, nem aplicar o senso humano necessário a decisões tão delicadas. Muller afirmou que, diante do que foi visto, grande parte do público saiu com a impressão de que julgamentos conduzidos por chatbots não seriam uma boa ideia.

O docente alertou ainda que o avanço da tecnologia na Justiça é inevitável, mas que o poder público deve agir antes que experimentos como esse ultrapassem o campo acadêmico. Segundo Muller, é papel dos legisladores estabelecer regras claras para impedir que “ciberjúris” substituam jurados humanos. Para ele, a legislação deve deixar explícito que veredictos criminais precisam ser decididos por pessoas, não por algoritmos, evitando que a tecnologia ultrapasse os limites da ética judicial.