Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Ex-diretor do FBI é denunciado à Justiça após pressão de Trump

Júri federal acusa James Comey de falso testemunho e obstrução em meio a suspeitas de uso político do Departamento de Justiça
Ex-diretor do FBI é denunciado à Justiça
Ex-diretor do FBI é denunciado à Justiça

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Um júri federal denunciou nesta quinta-feira (25/09) o ex-diretor do FBI, James Comey, por falso testemunho e obstrução de uma investigação no Congresso. Se condenado, ele pode enfrentar até cinco anos de prisão. A decisão ocorre em meio a fortes críticas de que o processo representa mais uma iniciativa do governo do presidente Donald Trump para retaliar adversários políticos e pessoas que conduziram investigações contra ele.

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Comey, que chefiou o FBI de 2013 a 2017, foi demitido por Trump no início de seu primeiro mandato, pouco depois de anunciar que a campanha presidencial de 2016 estava sob investigação por suposta interferência russa. Desde então, tornou-se um dos críticos mais duros do republicano, chegando a chamá-lo de “moralmente inapto” para o cargo. Após a denúncia, Comey publicou um vídeo nas redes sociais no qual se declara inocente. “Meu coração está partido pelo Departamento de Justiça, mas tenho grande confiança no sistema judicial federal e sou inocente. Então, vamos a julgamento e manter a fé”, afirmou.

O caso atual contra Comey tem origem em um depoimento prestado em 2020 ao Comitê Judiciário do Senado, no qual ele negou ter autorizado vazamentos de informações à imprensa durante a investigação da Rússia. Segundo a Promotoria, essas declarações teriam enganado o Congresso. Críticos afirmam que o processo aumenta as suspeitas de que o Departamento de Justiça, chefiado pela procuradora-geral Pam Bondi, esteja sendo usado para perseguir figuras públicas que Trump considera inimigos políticos.

A denúncia foi formalizada pouco depois de Trump cobrar publicamente mais rapidez de Bondi para processar opositores. “A JUSTIÇA DEVE SER FEITA, AGORA”, escreveu o presidente em sua plataforma Truth Social. Em resposta, Bondi declarou: “A acusação de hoje reflete o compromisso deste Departamento de Justiça em responsabilizar aqueles que abusam de posições de poder para enganar o povo americano. Acompanharemos os fatos neste caso.” A substituta de Bondi no processo, Lindsey Halligan, ex-assessora da Casa Branca e antiga advogada pessoal de Trump, assumiu a condução do caso, enquanto outros promotores da região manifestaram preocupação com a consistência das provas.

Republicanos há anos alegam que a investigação russa foi criada para enfraquecer o governo Trump. Em 2019, um relatório interno do Departamento de Justiça identificou falhas na abertura do inquérito, mas não encontrou indícios de motivação política. O documento também criticou Comey por ter pedido a um amigo que entregasse ao The New York Times memorandos descrevendo reuniões privadas com Trump, episódio que na época não resultou em acusação formal. Nos bastidores, a iniciativa atual enfrenta resistência, e o procurador federal Erik Siebert, responsável pelo distrito da Virgínia Oriental, renunciou na semana passada após questionar a consistência das provas.