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A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Eduardo Tagliaferro, ex-assessor especial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por violação de sigilo funcional e ataques ao Estado Democrático de Direito. Segundo a PGR, Tagliaferro vazou ilegalmente diálogos que manteve com auxiliares no TSE e no Supremo Tribunal Federal (STF) para abastecer ataques ao sistema eleitoral e obstruir investigações de atos antidemocráticos. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, cita que o ex-assessor cometeu crimes de violação de sigilo, coação no curso do processo, obstrução de investigação de infração penal envolvendo organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
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De acordo com a denúncia, Tagliaferro teria compartilhado informações confidenciais obtidas no cargo com o objetivo de favorecer interesses próprios e de terceiros, bem como atender à divulgação de notícias falsas contra as urnas eletrônicas e a Justiça Eleitoral. “O denunciado, alinhado às condutas da organização criminosa responsável pela tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, bem como à divulgação de informações falsas, revelou informações confidenciais que obteve em razão do cargo ocupado, com o fim de obstruir investigações e favorecer interesse próprio e alheio”, afirma a peça da PGR.
Além disso, a PGR destaca que Tagliaferro, já fora do país, atuou em conjunto com outros investigados para intensificar ataques ao Judiciário brasileiro, incluindo campanhas de arrecadação de recursos para esse fim. Segundo o órgão, “está clara a adesão ao objetivo de incitar novos atos antidemocráticos e provocar disseminação de notícias falsas contra a Suprema Corte”.
O relatório da Polícia Federal reforça que o ex-assessor violou o sigilo funcional de forma consciente e voluntária, enquanto ocupava cargo de confiança na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE. Em abril de 2024, Tagliaferro revelou à esposa que havia repassado informações ao jornal Folha de São Paulo, evidenciando a materialidade do crime: “O diálogo deixou evidente que Eduardo divulgou ao jornalista informações que foram obtidas enquanto ele laborava na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE. Estas informações deveriam ser mantidas em sigilo”, diz o parecer da PF.
O relatório ainda aponta que o objetivo do vazamento era arranhar a imagem do ministro Alexandre de Moraes, questionar sua imparcialidade na condução de processos no STF e intensificar a instabilidade política e social no país, dificultando o andamento das investigações sobre organizações criminosas.







