Belo Horizonte, 7 de março de 2026

A voz de Minas no portal que mais cresce!

Últimas notícias

Duas regiões de Minas estão sob domínio de facção e avanço desgovernado de gangues

Organização criminosa dita onde se pode matar ou roubar em Minas, enquanto municípios vizinhos lidam com violência descontrolada
Criminalidade em Minas
Criminalidade em Minas

Ouça este conteúdo

0:00

A Zona da Mata de Minas Gerais está vivendo uma crise de segurança pública marcada pelo crescimento do crime organizado, que dita onde e quando se pode roubar ou matar. Em Juiz de Fora, por exemplo, uma facção nacional com origem no Rio de Janeiro impõe regras que, segundo fontes policiais da ativa e da reserva, restringem ações violentas no município sem a devida autorização do comando criminoso. Entretanto, esse suposto “controle” contribui para o aumento de homicídios em cidades vizinhas como Ubá, Viçosa e Muriaé. Já no Vale do Rio Doce, a situação é igualmente crítica, mas por outro motivo: a fragmentação de gangues locais causa disputas violentas e eleva os índices de assassinatos.

O impacto dessa dominação criminosa aparece nos números. Viçosa, por exemplo, teve 34 homicídios por 100 mil habitantes em 2024 – a terceira pior taxa do estado. Manhuaçu e Ubá ocupam, respectivamente, a quarta e nona posição nesse ranking. Além disso, cidades como Ponte Nova e Manhuaçu registram que 1 em cada 5 crimes violentos foi homicídio. Embora Juiz de Fora concentre a maior população, as mortes na cidade (35) são superadas, proporcionalmente, por municípios bem menores. Isso reforça a tese de que o centro regional evita confronto direto enquanto o entorno absorve o caos.

O especialista em segurança pública Carlos Júnior afirma que essa “paz controlada” tem um custo: “Juiz de Fora tem poucos homicídios e roubos, mas não é só porque a polícia está trabalhando muito. É porque há uma orientação da facção que controla o crime de não assaltar, de não matar sem ordem expressa”. Enquanto isso, cidades como Muriaé, Viçosa, Ponte Nova e especialmente Ubá enfrentam ondas de violência crescente, agravadas pela dificuldade das autoridades em reagir com eficácia.

Os dados da Sejusp revelam que 67,33% dos homicídios registrados nas duas regiões foram cometidos com armas de fogo. Os principais motivos foram conflitos interpessoais (26,36%), envolvimento com drogas (24,55%) e atuação de facções (14,55%). Em relação aos crimes violentos em geral – que incluem estupro, extorsão, roubo e sequestro –, os roubos lideram com 64,1% dos casos nos municípios acima de 50 mil habitantes. Na Zona da Mata, esse número cai para 42,8%, ainda assim mantendo a liderança, seguidos por tentativas de homicídio (16,7%) e homicídios consumados (11,3%).

Os bairros com maior número de mortes em 2024 incluem Baixada (Manhuaçu), Nova Viçosa e Bom Jesus (Viçosa), Cidade Nova (Ponte Nova) e Marumbi (Juiz de Fora). A maioria dos crimes ocorreu em vias públicas, enquanto bares, lanchonetes, residências e comércios também foram locais frequentes de violência. Os autores e vítimas, na maior parte dos casos, não tinham relação direta, embora houvesse porcentagem significativa de casos envolvendo conhecidos, parentes e até cônjuges.