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O desabamento de um lar de idosos em Belo Horizonte, no bairro Jardim Vitória, terminou com 12 mortes, após o Corpo de Bombeiros encontrar na madrugada desta sexta-feira (06/03) a última vítima soterrada. O corpo foi retirado dos escombros pouco antes das 7h, depois de cerca de 30 horas de trabalho ininterrupto das equipes de resgate. No momento do colapso do imóvel, 29 pessoas estavam no local. Desse total, 12 morreram, oito foram resgatadas com vida e nove conseguiram sair antes da estrutura ceder.
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Entre os mortos está Renato Duarte Ramos Terrinha, de 31 anos, filho do proprietário do imóvel. Ele era pai de uma criança de dois anos, que foi resgatada com vida ainda durante a madrugada junto com a mãe. As demais vítimas são Argentina Mendes Cruz (88 anos), João Barbosa de Jesus (78 anos), César Augusto de Melo (77 anos), Maurilio Eduardo Mol (68 anos), Alice Pereira Andrade (87 anos), Pedro Eugênio de Freitas (76 anos), Antônio Ribeiro Souza (69 anos), Maria das Graças Godinho Proti (76 anos), Maria de Lourdes dos Santos Miranda (96 anos), Maria Ordália de Jesus (98 anos) e Sônia Maria Morgado (77 anos).
Na manhã desta sexta-feira (06), a Defesa Civil realizou vistorias preventivas em sete imóveis próximos ao prédio que desabou, com o objetivo de verificar possíveis riscos estruturais nas construções vizinhas. Como resultado das inspeções, dois imóveis foram totalmente interditados, quatro parcialmente e um foi liberado, após avaliação técnica.
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Além disso, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informou que tenta, desde 2017, interditar judicialmente o lar de idosos. Segundo o órgão, foram identificadas “irregularidades de natureza gravíssima” durante inspeções realizadas ao longo dos últimos anos. De acordo com a promotora de Justiça Jacqueline Ferreira, 10 vistorias foram feitas na instituição, apontando problemas relacionados à habitabilidade, higiene, salubridade e segurança. “As perícias feitas pelos técnicos do Ministério Público foram unânimes em concluir que a instituição não possuía condições mínimas de funcionamento como casa acolhedora de pessoas idosas”, disse.
Ainda conforme a promotora, mesmo com as irregularidades apontadas, o número de idosos acolhidos no local continuou crescendo. Em 2024, um laudo técnico já indicava que “o imóvel onde funciona a instituição não possui estrutura física adequada para moradia e cuidado com idosos”. “Contudo, apesar de todo o esforço, o processo permanece sem ter sido julgado, mesmo com o alerta da Promotoria de Justiça acerca da gravidade da situação dos idosos acolhidos na instituição”, explicou. Por outro lado, o advogado da Casa de Repouso Pró-Vida, Agnaldo Reis, afirmou que todos os ajustes previstos no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado com o MPMG em 2017, haviam sido cumpridos até a última quarta-feira (04).







