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Durante as comemorações do 4 de Julho nos Estados Unidos, os parlamentares mineiros Junio Amaral (deputado federal) e Cristiano Caporezzo (deputado estadual), ambos do PL, participaram de um almoço com Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O encontro, ocorrido pouco mais de duas semanas antes da operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), revelou detalhes cruciais sobre a articulação internacional que culminou na decisão do ministro Alexandre de Moraes de impor medidas restritivas ao ex-presidente, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
Segundo relato de Junio Amaral, Eduardo Bolsonaro compartilhou com os colegas informações sobre sua atuação junto ao governo norte-americano. Na ocasião, não havia qualquer conhecimento prévio sobre a sanção comercial que viria dias depois: uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras, anunciada por Donald Trump. Amaral afirmou que “Eduardo está focado na pressão sobre os ministros. Nem imaginávamos que viria isso”, referindo-se à tentativa do deputado licenciado de influenciar autoridades americanas contra membros do STF, especialmente Moraes.
Após o anúncio da tarifa, Eduardo Bolsonaro divulgou uma nota conjunta com o colunista Paulo Figueiredo, alegando que a medida era fruto do “sucesso na transmissão daquilo que viemos apresentando”. No entanto, Amaral descreve um cenário diferente, indicando que as ações nos EUA foram conduzidas com discrição e que nem mesmo aliados próximos sabiam da iminência do tarifaço. A decisão de Moraes aponta que a cooperação entre Jair e Eduardo Bolsonaro busca pressionar o Judiciário brasileiro no inquérito sobre tentativa de golpe de Estado.
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Ainda durante o encontro nos EUA, Eduardo Bolsonaro teria cogitado abrir mão do mandato parlamentar e permanecer indefinidamente no exterior, demonstrando receio diante de possíveis medidas judiciais. Segundo Amaral, Eduardo também recebeu sinalizações de que poderia conseguir sanções contra ministros do STF com base na Lei Magnitsky, legislação americana que permite restrições a estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos, como congelamento de bens e proibição de entrada nos EUA.







