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Delegações de diversos países, incluindo o Brasil, deixaram o plenário da Assembleia Geral da ONU nesta sexta-feira (26/09) assim que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, subiu ao púlpito para discursar. A saída em massa foi um ato coordenado para protestar contra os ataques israelenses à Faixa de Gaza, que já duram quase dois anos e resultaram em mais de 60 mil vítimas, segundo dados divulgados por organizações internacionais. O protesto chamou atenção por acontecer de forma simultânea, reforçando a pressão internacional pelo fim da guerra e pelo reconhecimento de um Estado palestino.
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A ação foi combinada previamente entre as delegações que criticam a ofensiva israelense. Mesmo antes do início do discurso, representantes de dezenas de países, entre eles Austrália, Canadá, França, Reino Unido e Portugal, já tinham sinalizado apoio ao ato. Muitos desses governos, inclusive, anunciaram o reconhecimento do Estado palestino às vésperas da abertura da Assembleia Geral. Do lado de fora do prédio da ONU, milhares de manifestantes se reuniram na Times Square, em Nova York, exibindo cartazes com mensagens como “Acabem com toda a ajuda dos EUA a Israel”, “Prendam Netanyahu” e “Parem de matar Gaza de fome agora!”.
Ficaram no plenário representantes dos Estados Unidos, maior aliado de Israel, e algumas delegações europeias, como Reino Unido, Noruega, França e Itália, além de uma comitiva da União Europeia. Uma fonte da delegação brasileira, sob anonimato, afirmou que “o ato fala por si próprio” e destacou que a retirada foi planejada, sem entrar em mais detalhes. Na galeria superior do plenário, onde é permitido o acesso de convidados, o espaço estava lotado, sugerindo que Israel levou apoiadores para o discurso, repetindo a estratégia adotada no ano passado.
Netanyahu foi recebido com vaias ao entrar no salão e, em seu pronunciamento de mais de 40 minutos, declarou que Israel precisa “terminar o serviço” iniciado em Gaza. “Os últimos elementos do Hamas estão entrincheirados na Cidade de Gaza. Eles prometem repetir as atrocidades de 7 de outubro uma e outra vez, não importa quão reduzidas estejam suas forças. É por isso que Israel precisa terminar o serviço. É por isso que queremos fazê-lo o mais rápido possível”, afirmou. Ele também enviou uma mensagem direta aos reféns israelenses, dizendo: “Aqui é o primeiro-ministro Netanyahu, falando ao vivo das Nações Unidas. Não nos esquecemos de vocês, nem por um segundo. O povo de Israel está com vocês. Não vacilaremos e não descansaremos até trazermos todos vocês para casa”.







