Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes trocaram mensagens no dia da prisão do dono do Banco Master

Conversas encontradas no celular do banqueiro mostram tentativa de salvar o Banco Master, menções a processo sigiloso e relatos de supostos encontros com o ministro. Veja os registros:
Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes trocaram mensagens no dia de sua prisão
Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes trocaram mensagens no dia de sua prisão - Foto: Reprodução Internet

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Segundo revelações da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, trocaram mensagens ao longo de 17 de novembro de 2025, dia em que o banqueiro foi preso pela Polícia Federal. De acordo com a reportagem, os registros foram encontrados no celular de Vorcaro, apreendido no momento da prisão, e mostram que o executivo relatava ao ministro as negociações para tentar salvar o Banco Master por meio da venda de ativos. As mensagens também mencionam preocupações com um inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal de Brasília e que acabou levando à prisão do empresário.

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De acordo com a reportagem, a conversa começou às 7h19 da manhã com Vorcaro afirmando que tentava antecipar investidores e que havia chance de “assinar e anunciar ainda hoje uma parte” da negociação. Ele também disse que, caso isso ocorresse, viajaria para buscar a assinatura de investidores estrangeiros. Na sequência, o banqueiro mudou de assunto e comentou que o tema tratado entre eles poderia estar vazando, embora sem detalhes. Na mensagem, escreveu: “De um lado, acho que o tema de que falamos começou a dar uma vazada, obviamente sem qualquer detalhes (sic). Mas a turma do BRB me disse que tá tendo um movimento de sacanagem do caso. E que a mesma jornalista de antes estava fazendo perguntas lá.” Em seguida, acrescentou um trecho considerado vago, mas que parece fazer referência ao inquérito: “Se vazar antes será péssimo, mas pode ser um gancho para entrar no circuito do processo”. Ao final, pediu atualização: “Se tiver alguma novidade vamos falar”.

As mensagens continuaram ao longo do dia e acompanharam momentos importantes da cronologia do caso. Por volta das 15h29, segundo a Polícia Federal, o juiz da Justiça Federal de Brasília Ricardo Leite determinou a prisão do banqueiro. Apenas 18 minutos depois, às 15h47, a defesa de Vorcaro enviou uma petição à 10ª Vara Federal de Brasília tentando impedir “medidas cautelares eventualmente requeridas” e barrar uma possível prisão. A investigação aponta que, antes disso, o empresário teria obtido informações sobre o inquérito sigiloso por meio de acesso ilegal a sistemas da própria Polícia Federal. Depois, segundo os investigadores, ele teria divulgado o assunto em um site para “esquentar” a informação e, assim, conseguir protocolar a petição diretamente ao juiz do caso.

Horas depois, às 17h22, pouco antes das notícias sobre a negociação envolvendo o banco e o grupo Fictor saírem na imprensa, Vorcaro voltou a enviar mensagem ao ministro. No texto, afirmou: “Fiz uma correria aqui pra tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação”. Quatro minutos depois, enviou outra pergunta: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?” Moraes respondeu às 17h31 também por meio de prints do bloco de notas. Já no início da noite, o banqueiro voltou a pedir atualizações. A mensagem foi registrada no bloco de notas às 19h58 e enviada às 20h04, com o texto curto: “Alguma novidade?” O ministro respondeu com duas mensagens em sequência, enviadas às 20h21 e 20h23.

Tanto Vorcaro quanto Moraes escreviam os textos primeiro nos blocos de notas dos celulares, tiravam prints e depois enviavam as imagens pelo WhatsApp com visualização única. Por causa desse formato, não é possível saber o conteúdo das respostas enviadas pelo ministro, já que as mensagens desaparecem após serem abertas. Por outro lado, as mensagens escritas por Vorcaro continuaram acessíveis porque permaneciam salvas no próprio celular do banqueiro, que foi apreendido e está em posse da Polícia Federal. Os horários registrados nas notas geralmente coincidem com o envio das imagens, quase sempre com diferença de cerca de um minuto. A última mensagem registrada foi enviada às 20h48, pouco mais de uma hora antes da prisão do empresário, que ocorreu por volta das 22h no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, quando ele tentava embarcar em um jato particular para Dubai. Vorcaro afirmou que viajaria para se reunir com investidores árabes.

Além das mensagens do dia da prisão, outras conversas citadas pela imprensa também mencionam dois possíveis encontros entre Vorcaro e Alexandre Moraes. Segundo a coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, mensagens interceptadas pela Polícia Federal mostram o banqueiro afirmando à então noiva, Martha Graeff, que iria se encontrar com Moraes perto de casa em 19 de abril de 2025. Dez dias depois, em outra conversa, após uma chamada de vídeo, ele também afirmou que uma das pessoas presentes em sua casa seria o ministro.

Após a divulgação das mensagens, o ministro Alexandre de Moraes afirmou, em nota enviada na quinta-feira, que “não recebeu as mensagens referidas na matéria” e declarou que “trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o STF”. Vale lembrar também que, em janeiro de 2024, o Banco Master contratou para representá-lo judicialmente o escritório Barci de Moraes, onde trabalham a esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, e dois de seus filhos. O contrato previa remuneração mensal de R$ 3,6 milhões durante três anos para atuar na defesa dos interesses da instituição e de Daniel Vorcaro junto ao Banco Central do Brasil, à Receita Federal do Brasil, ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e ao Congresso Nacional. Apesar disso, a atuação da advogada nesses órgãos não é conhecida.