Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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CPMI do INSS acusa PF de ‘filtrar’ dados das quebras de sigilos de Daniel Vorcaro

Presidente da comissão diz que decisão do STF autoriza acesso completo às quebras de sigilo de Vorcaro e contesta limitação a contratos consignados
CPMI do INSS acusa PF de 'filtrar' dados das quebras de sigilos de Daniel Vorcaro
CPMI do INSS acusa PF de 'filtrar' dados das quebras de sigilos de Daniel Vorcaro - Foto: Carlos Moura/ Agência Senado

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O presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana, acusou a Polícia Federal de “filtrar” dados das quebras de sigilo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo Viana, a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o compartilhamento integral das informações com a comissão, e não apenas documentos relacionados a empréstimos consignados do INSS. O tema foi tratado em reunião nesta segunda-feira com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

De acordo com Viana, a PF sustenta que o gabinete do ministro teria limitado a liberação aos contratos de consignado do banco já liquidado, firmados sem autorização de aposentados e pensionistas, foco da investigação. O senador, porém, afirma que esse entendimento não consta da decisão. “Hoje conversei com o Andrei [Rodrigues, diretor-geral da PF] para esclarecer uma dúvida. A decisão do André Mendonça [relator do caso no STF] não define que a PF faça filtro para entregar a comissão. A decisão é que recebamos os arquivos completos”, declarou.

Ainda conforme o presidente da comissão, a advocacia do Senado avalia que o despacho do STF “não cria filtros” para o envio da documentação. Diante disso, Viana informou que vai questionar diretamente o gabinete do ministro para esclarecer o alcance da ordem judicial. “Não está claro que a Polícia Federal deva fazer qualquer tipo de filtro. A nossa preocupação é receber os documentos para investigação, independentemente de posição, parentesco ou condição financeira. Se a pessoa está envolvida, tem que prestar contas”, disse a jornalistas.

No despacho de 20 de fevereiro, Mendonça afirmou que os dados das quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico de Vorcaro têm relação com os fatos apurados pela CPMI do INSS, o que justificaria o compartilhamento por interesse público. O ministro também registrou que “eventual limitação ao exercício dessas prerrogativas (da CPMI) deve encontrar fundamento constitucional expresso, sob pena de esvaziamento das competências investigativas conferidas à minoria do Parlamento”.

A CPMI do INSS apura a existência de cerca de 250 mil contratos de empréstimos consignados do Banco Master sem autorização de beneficiários. Vorcaro foi convocado a depor no dia 23, mas não compareceu após Mendonça facultar sua presença.