Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Cientistas encontraram as mumificações mais antigas do mundo em antigas civilizações da Ásia

Análises químicas e ósseas revelam que caçadores-coletores preservavam corpos com fumaça milhares de anos antes do Egito e do Chile

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Pesquisadores descobriram que algumas das primeiras práticas de mumificação do mundo ocorreram muito antes dos egípcios e das civilizações da costa do Chile e do Peru. A novidade veio da Ásia, onde análises químicas e ósseas revelaram que antigas populações da China, Vietnã, Filipinas, Laos, Tailândia, Malásia e Indonésia já realizavam rituais de defumação em seus mortos há mais de 10 mil anos. Os corpos eram tratados com fumaça e calor leve, indicando que a mumificação por secagem existia milhares de anos antes do que se imaginava.

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Embora a mumificação egípcia, com envolvimento em bandagens, seja datada de cerca de 4.500 anos atrás, e os exemplos mais antigos conhecidos venham de civilizações chilenas, a descoberta desafia essa linha do tempo. Diferente do deserto seco do Atacama, que permitia a mumificação natural por dessecação, os corpos encontrados na Ásia estavam em regiões úmidas, onde a preservação natural seria quase impossível sem intervenção humana.

Os pesquisadores analisaram 54 sepultamentos em 11 locais da região e observaram que os corpos estavam em posição agachada, com braços e pernas amarrados. Havia marcas escuras nos crânios, cotovelos e pernas, e exames indicaram alterações nos ossos compatíveis com longa exposição à fumaça e calor leve, distinto do efeito de uma cremação comum. Mais de 8 em cada 10 amostras apresentaram sinais claros desse processo de defumação.

Exemplos de sepultamentos hiperflexionados com ossos parcialmente queimados do sul da China e da Indonésia. — Foto: Divulgação/PNAS

Segundo os cientistas, a prática de defumar os corpos provavelmente era a forma mais eficaz de preservação em climas tropicais, mas também tinha um significado cultural importante. No método descrito, o corpo era atado logo após a morte em posição hiperflexionada e suspenso sobre fogo brando e fumegante por semanas ou meses, em abrigos cobertos. Depois, a múmia podia permanecer em casa antes do sepultamento final, o que explicaria articulações preservadas, escurecimentos por fuligem e desalinhamentos ósseos.

“Os resultados foram uma grande surpresa”, disse Hsiao-chun Hung, pesquisadora da Universidade Nacional Australiana, à AFP. “Os ossos são muito antigos e é surpreendente descobrir que essa tradição seja tão antiga”. Ela ainda destacou que o estudo revela algo profundamente humano: o desejo de manter os entes queridos próximos para sempre.