Belo Horizonte, 7 de março de 2026

A voz de Minas no portal que mais cresce!

Últimas notícias

China lida com 14 milhões de residências vazias em crise imobiliária

Apartamentos não vendidos e obras paradas ameaçam a segunda maior economia do mundo, repetindo o fantasma das décadas perdidas do Japão
14 milhões de casas vazias na China
14 milhões de casas vazias na China

Ouça este conteúdo

0:00

O espectro das “décadas perdidas” do Japão agora assombra a China, que enfrenta uma das crises imobiliárias mais graves da história recente. O país tem cerca de 14 milhões de residências vazias, entre apartamentos concluídos e não vendidos, além de unidades pagas cujas obras nunca foram finalizadas. Esse cenário, que lembra o Japão dos anos 1990, ameaça mergulhar a segunda maior economia do mundo em um longo período de vulnerabilidade.

A comparação entre os dois países é inevitável. Assim como no Japão, a China viu seu mercado imobiliário inflar devido a políticas frouxas, especulação e uma expectativa de crescimento infinito. No Japão, a bolha estourou quando a população envelheceu e o número de novos compradores diminuiu, arrastando a economia para uma armadilha deflacionária. No entanto, a situação chinesa apresenta agravantes: o setor imobiliário já chegou a representar um quarto do PIB nacional e quase 70% dos ativos das famílias, muito mais do que no Japão na época de sua crise. Construtoras gigantes, como a Evergrande, entraram em colapso, acumulando passivos de US$ 360 bilhões, enquanto famílias viram sua riqueza queimar, equivalente a um ano inteiro de produção do país.

O fator demográfico torna a crise ainda mais intensa. A antiga “política do filho único” fez com que a faixa etária que mais compra o primeiro imóvel atingisse seu pico em 2019, pouco antes do início do colapso. Isso significa que, diferente do Japão, não haverá uma segunda onda de demanda para aliviar o mercado. Além disso, a população chinesa envelhece rapidamente: “o que o Japão levou 28 anos, a China alcançará em apenas duas décadas”.

A crise começou oficialmente em 2020, quando o governo chinês impôs as chamadas “três linhas vermelhas”, severas restrições de crédito que sufocaram incorporadoras superendividadas. Como resultado, a demanda caiu drasticamente, e os preços registraram em 2024 a maior queda anual em nove anos.

Agora, o governo de Pequim enfrenta um dilema monumental. Precisa evitar o colapso de um setor que emprega mais de 50 milhões de pessoas e sustenta as finanças dos governos locais, mas também quer impedir o retorno ao modelo baseado em dívidas e especulação. Especialistas alertam que, se o país insistir em usar estímulos financeiros de curto prazo para lidar com um problema demográfico profundo, pode não apenas repetir as “décadas perdidas” do Japão, mas também entrar em uma era prolongada de estagnação com consequências irreversíveis para sua projeção global.