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A Câmara Municipal de Belo Horizonte vai recorrer da decisão judicial que suspendeu os trabalhos da comissão responsável por analisar o pedido de cassação do mandato do vereador Lucas Ganem (Podemos). A informação foi confirmada nesta segunda-feira (02/02) pelo presidente da Casa, vereador Juliano Lopes (Podemos), que afirmou que o recurso será apresentado assim que o Legislativo for oficialmente notificado. Enquanto isso, de forma preventiva, a comissão decidiu suspender as atividades, embora a Câmara alegue que ainda não recebeu comunicação formal da Justiça.
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A suspensão foi determinada após a Justiça acatar um mandado de segurança apresentado pela defesa de Ganem. A decisão é do juiz Danilo Couto Lobato Bicalho, da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Municipal da Comarca de Belo Horizonte, que entendeu que a Câmara não teria competência para julgar ilícitos eleitorais nem para cassar um mandato com base exclusivamente em fatos dessa natureza que ainda estão sob análise judicial.
Mesmo diante da decisão, Juliano Lopes afirmou que o Legislativo municipal vai cumprir o que for definido pela Justiça, mas defendeu a atuação da Câmara no caso. “Foi uma decisão da maioria dos vereadores. A Câmara tem competência, mas o vereador que causou tudo isso, Lucas Ganem, se sentiu prejudicado pela decisão do plenário, mas a Câmara irá recorrer”, declarou o presidente após a primeira sessão do plenário em 2026.
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A comissão, presidida pelo vereador Bruno Miranda (PDT), foi sorteada para apurar a denúncia e tem prazo de 90 dias para apresentar um relatório recomendando ou não a cassação do mandato. Bruno Miranda, voltou a destacar que a medida de suspender os trabalhos foi “preventiva”. Ele afirma que o colegiado teve ciência da decisão através da imprensa e que, seguindo uma orientação da Procuradoria da Câmara e da Diretoria do Legislativo, as atividades foram paralisadas. “Vamos recorrer, mas neste primeiro momento precisamos cumprir a decisão do Poder Judiciário”, disse.
Paralelamente ao processo administrativo, Lucas Ganem é investigado pela Polícia Federal por suspeita de fraude eleitoral. As apurações indicam que o vereador, natural de São Paulo, teria transferido o domicílio eleitoral para Belo Horizonte no início de 2024, informando um endereço onde não residia. Em dezembro de 2025, a Justiça Eleitoral determinou a cassação do mandato pelo mesmo motivo, após denúncia apresentada por Rubão, primeiro suplente do Podemos, que assumiu a vaga em janeiro após Ganem pedir licença de 121 dias.







