Belo Horizonte, 7 de março de 2026

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Brasil anuncia entrada formal em ação contra Israel por genocídio em Gaza

Itamaraty formaliza participação na Corte Internacional de Justiça em resposta às graves violações contra civis palestinos
Brasil anuncia entrada formal em ação contra Israel por genocídio
Brasil anuncia entrada formal em ação contra Israel por genocídio

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O Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou nesta quarta-feira (23/07) a entrada formal do país na ação movida pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ) das Nações Unidas. Essa iniciativa visa responsabilizar Israel por genocídio contra o povo palestino, conforme acusação feita pela África do Sul em dezembro de 2023. A adesão do Brasil está na fase final, segundo informou o Itamaraty, que também manifestou profunda indignação diante da violência contínua contra civis palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

O conflito teve início em outubro de 2023, após ataque do grupo Hamas, com o sequestro de 251 reféns. Até agora, Israel estima que cerca de 50 reféns estejam na Faixa de Gaza, dos quais 20 ainda estariam vivos. Desde o começo da ofensiva israelense, mais de 59 mil palestinos morreram e aproximadamente 143 mil ficaram feridos em Gaza, de acordo com dados das autoridades locais. Além disso, mais de mil mortes foram registradas em locais destinados a ajuda humanitária, reforçando a gravidade da crise humanitária na região.

No comunicado, o Itamaraty condena a utilização da fome como arma de guerra por Israel, além do massacre de civis, em sua maioria mulheres e crianças, que ocorre inclusive durante a entrega de ajuda humanitária. O Brasil alerta para a ausência de espaço para ambiguidade moral ou omissão política diante da situação. O governo também destaca que a impunidade mina a legalidade internacional e compromete a credibilidade do sistema multilateral.

Além das mortes e feridos, o comunicado do Ministério das Relações Exteriores denuncia ataques a infraestruturas civis, incluindo sítios religiosos, como a paróquia católica em Gaza, e instalações da ONU, como a Organização Mundial da Saúde. Também foram citados episódios de vandalismo e violência por colonos extremistas na Cisjordânia, com incêndio de locais históricos como a antiga Igreja de São Jorge e o cemitério bizantino em Taybeh. O Brasil enfatiza que essas violações do Direito Internacional, somadas à anexação de territórios e à expansão de assentamentos ilegais, não podem ser ignoradas pela comunidade internacional.

O país reforça que a decisão de aderir ao processo da África do Sul é fundamentada no dever dos Estados de cumprir suas obrigações legais internacionais e humanitárias, diante da plausibilidade de que os direitos dos palestinos estão sendo gravemente prejudicados. Essa avaliação segue as medidas cautelares anunciadas pela Corte Internacional de Justiça em 2024.