Ouça este conteúdo
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reuniu apoiadores neste domingo (29/06), na Avenida Paulista, em São Paulo, para um novo ato político que teve como foco ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao processo judicial do qual é réu, por tentativa de golpe de Estado. No discurso, Bolsonaro voltou a defender a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e culpou a esquerda pela invasão e depredação das sedes dos Três Poderes. Segundo ele, o episódio teria sido “orquestrado” por adversários políticos. “Chegou o fatídico 8 de janeiro. Um movimento mais do que claro orquestrado pela esquerda. Lula não estava em Brasília. No dia anterior, foi para Araraquara (SP), porque sabia o que iria acontecer. Tanto que as imagens de quase 200 câmeras sumiram. Tudo foi quebrado antes daquelas pessoas que estavam no acampamento chegarem”, afirmou o ex-presidente, referindo-se aos apoiadores acampados em frente ao QG do Exército.
Apesar das falas, imagens mostram centenas de bolsonaristas deixando o Quartel-General, indo a pé até a Esplanada dos Ministérios e invadindo prédios públicos, com participação de policiais militares. Durante a invasão, apoiadores do ex-presidente foram filmados quebrando vidraças, móveis e obras de arte, em atos que pediam intervenção federal e o afastamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia tomado posse há apenas uma semana.
No ato, Bolsonaro também afirmou que o processo no STF por tentativa de golpe não passa de “fumaça de golpe” e voltou a questionar a lisura das eleições de 2022. Sem citar ministros diretamente, atacou tanto o STF quanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmando que houve influência direta das cortes no resultado final. “O objetivo [dos adversários] não é prender, é eliminar”, disse, em referência às condenações impostas aos participantes dos atos golpistas de janeiro do ano passado. A crítica ao Judiciário permeou toda a fala do ex-presidente, que também se opôs às decisões recentes do Supremo sobre regulação de redes sociais, como a responsabilização de plataformas por postagens ilegais de usuários.
- Leia mais: Prefeito de Sorocaba compra casa com dinheiro vivo e é investigado por lavagem de dinheiro
Ainda durante o discurso, Bolsonaro voltou a mirar as eleições de 2026 e defendeu que seu grupo político se concentre em eleger uma bancada forte no Congresso Nacional. O ex-presidente afirmou que, com metade da Câmara e do Senado sob comando de seus aliados, será possível influenciar diretamente os rumos do país, até mais do que o futuro chefe do Executivo. “Ano que vem teremos eleições. Aqui não é um carro para comício, é um carro para dizermos a verdade. Se nós queremos que o nosso time seja campeão, temos que investir, acreditar e entender que as coisas não acontecem de uma hora para outra. Não interessa onde eu esteja, a covardia que façam comigo. Logicamente não quero ser preso, nem morto, mas não posso fugir da minha responsabilidade (…). Se vocês me derem 50% da Câmara e 50% do Senado, eu mudo o destino do Brasil”, declarou.
Segundo Bolsonaro, com essa maioria no Congresso será possível eleger os presidentes da Câmara, do Senado e das principais comissões. Ele citou, ainda, a possibilidade de apoio de partidos do Centrão, como PP, Republicanos, PSD, União Brasil e MDB. “Se vocês me derem isso, não interessa onde esteja, aqui ou no além, quem assumir a liderança vai mandar mais que o presidente da República”, afirmou. “Com essa maioria nós elegeremos o nosso presidente da Câmara, o nosso presidente do Senado, o nosso presidente do Congresso Nacional. A maioria das comissões de peso no Senado e na Câmara. (…) Nós seremos os responsáveis pelo destino do Brasil. Eu dou um recado: não quero isso para perseguir quem quer que seja, não quero por revanchismo, eu quero isso pelo futuro do meu Brasil”, concluiu.







