Belo Horizonte, 6 de março de 2026

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Banco Master recebeu milhões de fundo investigado por ligação com o PCC

Investigações revelam que o Hans 95, maior fundo da Reag e alvo da Operação Carbono Oculto, aportou valores bilionários em ativos do banco de Daniel Vorcaro por meio de estruturas financeiras em cascata
Banco Master recebeu investimentos de fundo ligado ao PCC
Banco Master recebeu investimentos de fundo ligado ao PCC - Foto: Divulgação

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O Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro, recebeu investimentos bilionários do fundo Hans 95, maior fundo da Reag, gestora investigada por lavar dinheiro para o PCC na Operação Carbono Oculto, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) divulgados pelo UOL. Logo em outubro de 2024, o Hans 95 realizou aportes de R$ 124 milhões em CDBs do Master, o que reforça a relação financeira entre o banco e o fundo que está no centro das investigações.

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De acordo com o portal, a maior parte dos investimentos do Hans 95 em negócios ligados a Vorcaro não ocorreu de forma direta. Em vez disso, foi feita por meio de outros fundos controlados pelo próprio Hans 95, criando uma estrutura em cascata que dificulta rastrear o real beneficiário dos recursos. Como esses fundos são fechados, e não abertos ao público geral, o acesso às informações é ainda mais limitado. Essa mesma lógica foi identificada pela Receita Federal ao analisar o papel do Hans 95 na lavagem de dinheiro do PCC.

Fundo investigado na Carbono Oculto investiu em negócios ligados a Vorcaro

Com patrimônio de quase R$ 35 bilhões, o Hans 95 deixou de enviar dados obrigatórios para a Receita desde 2022 e também não entregou auditorias para a CVM entre 2022 e 2024, embora esse envio seja anual. Na última análise disponível, de 2021, os auditores se abstiveram de opinar por falta de informações suficientes. A Operação Compliance Zero, que prendeu Vorcaro, trabalha com a hipótese de que o Master buscou “inflar artificialmente seu patrimônio” em meio a uma crise de liquidez que comprometia o pagamento de obrigações, incluindo CDBs vendidos a pessoas físicas.

Enquanto isso, o Astralo 95 e Murren 41, outros dois fundos ligados ao Hans 95, ampliaram ainda mais a exposição ao banco de Vorcaro. Em março de 2025, o Astralo 95 possuía R$ 622 milhões em títulos do Master, e o Murren 41 tinha R$ 103 milhões em CDBs do banco em junho de 2024. Somados, os três fundos movimentaram ao menos R$ 849 milhões em ativos do Master desde o ano passado. A Receita Federal aponta ainda que o Hans 95 recebeu R$ 17 milhões em transferências da esposa de Mohamad Hussein Mourad, suspeito de coordenar o esquema de lavagem de dinheiro do PCC, em 2023 — valores enviados pelo BK Bank, também investigado, que em 2022 transferiu mais R$ 45 milhões ao fundo.

As investigações mostram que o Hans 95 também investiu em dois fundos considerados ligados a Mohamad, entre eles o Gold Style, que recebeu recursos de parentes do suspeito, movimentados a partir do BK Bank. Outro fundo na mesma cadeia, o Mabruk II, recebia e enviava valores para a fintech e tinha grande parte de seu patrimônio declarada em debêntures emitidas por empresas associadas a Mohamad. Para a Receita Federal, esse mecanismo indica que os ativos podem ser “inexistentes”, já que, segundo o relatório, “quem emite as debêntures são exatamente as pessoas que vão se beneficiar com os pagamentos dessas debêntures no futuro, fazendo com que o dinheiro tenha um fluxo circular”.