Belo Horizonte, 6 de março de 2026

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Banco Master movimentou R$ 2,8 bilhões em operações suspeitas ligadas ao PCC e ao Hezbollah

Investigações da Polícia Federal apontam remessas internacionais, indícios de fraudes cambiais e uso de criptomoedas em esquema que envolveu empresa brasileira e condenados por lavagem de dinheiro
Banco Master fez remessas milionárias para empresa ligada a lavagem de dinheiro para o PCC e ao Hezbollah
Banco Master fez remessas milionárias para empresa ligada a lavagem de dinheiro para o PCC e ao Hezbollah - Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil

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O Banco Master realizou cerca de R$ 2,8 bilhões em operações de câmbio para uma empresa investigada por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a facção criminosa PCC e o grupo terrorista Hezbollah, segundo investigações da Polícia Federal. As transações ocorreram entre dezembro de 2018 e abril de 2021, período em que a instituição ainda se chamava Banco Máxima, e envolvem remessas de US$ 531 milhões. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (02/02) pela Folha de S. Paulo, e o caso também aponta indícios de fraudes cambiais e falhas no cumprimento das regras do Banco Central.

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De acordo com a PF, a empresa One World Services (OWS), que atua na venda direta de criptoativos, utilizou contas no Banco Master para comprar bitcoins destinados a condenados por lavagem de dinheiro para organizações criminosas, sem apresentar a documentação exigida na época. Além disso, as investigações indicam que as operações tinham como justificativa o aumento de capital de uma offshore da OWS em Miami, embora a documentação entregue fosse considerada insuficiente e inadequada pelas autoridades reguladoras.

Ainda conforme o relatório, o atual controlador do banco, Daniel Vorcaro, entrou no então Banco Máxima em 2017 e assumiu o controle em 2018, justamente no período em que as operações investigadas ocorreram. Nesse intervalo, os serviços de câmbio ganharam peso relevante no balanço da instituição, antecedendo mudanças de nome e de estratégia. Vale destacar que a aprovação formal do Banco Central para a mudança só ocorreu em agosto de 2019, quando parte das transações já havia sido realizada.

Ao todo, oito instituições financeiras são investigadas na chamada Operação Colossus, deflagrada em 2022 e com desdobramentos em 2024 e 2025, incluindo Master, Genial, Haitong, Santander, Travelex, Topazio, Banco Paulista e Voiter. Segundo a PF, essas instituições teriam “de forma deliberada fechado os olhos” para operações incompatíveis com o perfil econômico dos clientes. No caso específico do Master, foram 331 operações, mas apenas 15 atas societárias foram apresentadas, quando cada transação exigia um documento próprio, além de indícios de fraudes nos arquivos, como atas com datas repetidas ou digitalizadas em intervalos de poucos minutos.

A investigação também revelou que a OWS recebeu mais de R$ 700 milhões do corretor de criptoativos Dante Felipini, condenado a 17 anos de prisão em 2025 por lavagem de dinheiro e associação criminosa, por envolvimento com uma liderança do PCC. Segundo os investigadores, Felipini também enviou recursos para carteiras de criptomoedas sob sanção do governo de Israel, por ligação com o Hezbollah. Em nota, a defesa afirma que a Justiça derrubou a acusação por financiamento ao terrorismo e que os demais pontos serão esclarecidos no Judiciário.